domingo, 11 de agosto de 2013

PAI NOSSO E PÃO NOSSO

Por Carlos Queiroz

Postado em 30 de março de 2013

A falta de pão na mesa do pobre é um problema decorrente da falta de espiritualidade no altar dos cristãos

A oração do Pai Nosso é, ao mesmo tempo, a oração do “pão nosso de cada dia”. O pedido por esse pão não é um apelo para o suprimento material. Jesus Cristo já havia ensinado aos seus discípulos a não se preocuparem com o alimento. Também já se conhecia a ideia de que Deus dá o pão aos seus amados enquanto eles dormem, de acordo com o Salmo 126. Conforme Jesus Cristo, a natureza se encarrega de suprir a carência das aves dos céus e dos lírios do campo; se Deus assim supre os pequenos animais e os vegetais, há, então, suprimento suficiente para todas as pessoas do planeta.

Como sabemos, o problema da falta de alimento para muitos não se deve à superpopulação ou à falta de solos aráveis. A monocultura, a exploração do semelhante e a concentração de renda, entre outros fatores, geram a fome e a miséria que têm vilipendiado tanta gente. Portanto, na oração do Pai Nosso, o pedido não é pelo pão – e sim, pela prática da socialização do pão. O alimento é um direito de todos os seres humanos. Quando uma minoria detém a maior parte dos bens, outras pessoas irão padecer necessidade.

O problema da desnutrição, para muitos, está na má utilização dos recursos naturais, quando se visa apenas ao lucro e ao acúmulo de capital, o que também leva à degradação do meio ambiente. Logo, o Pai Nosso não é uma prece para ser meramente repetida em nossas liturgias; ela é a oração sobre a ética da propriedade e dos bens. Para Jesus Cristo, vale mais uma vida eticamente correta do que a oração corretamente pronunciada.

Há muitos cristãos orando o Pai Nosso sem, contudo, expressar o reconhecimento – muito menos, o arrependimento – de que estão pondo muitas pessoas sob o castigo da fome e da morte. E é por causa de nosso egoísmo, revelado quando comemos muito e deixamos outros com fome, que há muitos doentes e mortos em nosso meio. Não discernir essa realidade significa comer e beber juízo para si, conforme I Coríntios 11.23-27.

Para muitos de nós, o Pai Nosso pode ser compartilhado e dividido; mas o pão, esse não – é exclusivamente “meu”. Ele é o ídolo que só na reza ou na burocracia religiosa pertence ao outro. O máximo que fazemos é uma doação filantrópica de nossas sobras. E, se damos a sobra, apenas denunciamos o nosso contexto de injustiça. É hipocrisia doar a sobra como se fosse um ato de misericórdia. A misericórdia se evidencia pela doação daquilo que nos faz falta.

Todo ídolo exige sacrifício. O ídolo de mercado, representado pela acumulação de propriedades e rendas, vive guardado no altar sagrado dos cofres bancários, venerado pelos seus adoradores, os mesmos que sacrificam os mais fracos e vulneráveis da sociedade.

No Brasil, o pão é de uma minoria. Mais de 32 milhões de pessoas passam fome, e 65 milhões de brasileiros alimentam-se de forma precária. O pão é um bem que pode ser acumulado ou socializado; por isso, a oração do Pai Nosso tem implicações econômicas, sociais e políticas. Orar ao Pai do céu pelo pão de cada dia é uma premissa contra a acumulação de bens.

O mundo seria diferente se todos os cristãos fizessem do Pai Nosso uma prática de justiça, solidariedade e socialização do pão. O Pai Nosso é a oração pelo pão de cada dia do outro. É a oração que muda a concepção fundiária e subverte a noção de renda ou posse dos bens. Portanto, é muito mais do que um jeito de orar – é, de fato, uma maneira de se viver.

O bem-aventurado pobre de espírito, citado em Mateus 5.3, vive motivado pela sensibilidade e pela compaixão, e tem prazer em socializar com outras pessoas tanto o Pão da Vida quanto o pão da terra. Além do mais, o bem-aventurado pobre de espírito é também feliz porque sente fome e sede de justiça. E essa sua fome, essa sua sede, são aguçadas diante da fome sofrida pelos injustiçados.

Não podemos mais admitir que nosso país – o maior em número de católicos e o segundo maior em número de protestantes – seja um dos países mais injustos do planeta. A falta de pão na mesa do pobre é um problema decorrente da falta de espiritualidade no altar dos cristãos. A carência de alimento passa a ser um sinal de nossa falta de espiritualidade à medida que o outro não o tem. Que o Pai do céu nos ajude a socializar o pão da terra.

sábado, 20 de julho de 2013

A Palavra de Deus

Por Ariovaldo Ramos

Certo dia um homem de meia idade procurou um pastor com a seguinte abordagem: - Preciso falar-lhe pastor sobre o meu casamento, na verdade, sobre a minha mulher.

Começou, então a descrever a sua esposa para o pastor; depois de duas horas e meia falando, sem parar, havia descrito algo perto de um monstro. Voltou-se ao pastor e perguntou: - Qual é a palavra de Deus para mim?

O pastor calmamente abriu as Escrituras e disse: A Bíblia diz: “Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou por ela.” Ef 5.25

O homem ficou desconsolado, afinal ele havia descrito sua mulher como um monstro. A lógica dele lhe dizia: - Se eu amar essa mulher como Cristo amou a Igreja, aí sim que ela vai tornar a minha vida um inferno, vai se aproveitar dessa fragilidade.

Talvez estejamos tentados a dar razão ao homem, em questão; entretanto, o amor não nos torna frágeis, pelo contrário, faz de nós seres capazes de tudo suportar. E mais, ao amar aquela mulher, apesar de todos os defeitos que ele via nela, ele, de fato, estaria dando ao Espírito Santo as condições que Ele precisa para começar a transformação dela.

O amor é o ambiente onde o Espírito trabalha. E amar a quem devemos amar é compromisso que temos com o Espírito Santo.

Como ele pode ama-la com tudo o que está no coração dele? Em primeiro lugar ele deve confessar isso ao Senhor e pedir-lhe que mude isso; em segundo lugar ele deve começar a agir pela fé.

O que seria agir pela fé num caso destes? Significa tratar a esposa como a mulher amada. A medida que ele fosse obedecendo o Senhor, tratando a esposa a partir do compromisso de amar como Cristo, Deus, por sua graça, iria operando no seu sentimento.

A gente primeiro sai do barco para, depois, andar por sobre as águas. É preciso dar o passo da fé, da obediência. É assim que a Bíblia diz.

domingo, 12 de maio de 2013

O amor incondicional: para o dia das mães

Por Leonardo Boff

Publicado em 12/05/2012

O dia das mães é a festa do amor incondicional. Elas nos deram a vida, nos acolheram e nos colocaram em seu coração. E de lá nunca mais saímos. Quando desanimados, procuramos o seu seio. Quando rejeitados, sabemos onde encontrar abrigo. No meio do perigo é a palavra “mãe” que pronunciamos. E quando nos despedimos desta vida é ainda o nome “mãe” que nos vem aos lábios. Ela nos introduzirá no grande Útero da Mãe eterna, de infinita bondade e ternura.

Neste dia das mães não fala a inteligência analítica e funcional mas a inteligência emocional e razão cordial. Logico, o comércio explora esse dia, mas o significado da figura da mãe é tão poderoso que não se deixa nunca desvirtuar totalmente.

É excusado sublinhar a importância da figura da mãe na orientação futura da vida de uma criança. Baste-nos referir as constribuições inestimáveis de Jean Piaget com sua psicologia e pedagogia evolutiva e principalmente as de Donald W. Winnicot com sua pediatria combinada com psicanálise infantil. Eles nos detalharam os complexos percursos da psiqué infantil nesses momentos iniciais e seminais da vida que nos conferem o sentimento de sermos amados, protegidos e sempre acolhidos.

Hoje não cabe esse tipo de reflexão por mais importante que seja. Tem seu lugar o afeto cujas raizes se encontram há mais de duzentos milhões de anos, quando surgiram no processo da evolução os mamíferos dos quais nós descendemos. Com eles nos veio o afeto, o amor e o cuidado, guardados como informações até os dias atuais pelo cérebro límbico. Entreguemo-nos brevemente à terna força deste afeto.

Há muitos textos comovedores que exaltam a figura da mãe como o belíssimo do bispo chileno Ramon Jara. Mas há um outro de grande beleza e verdade que nos vem da Africa, de uma nobre abissínia, recolhido como prefácio ao livro Introdução à essência da mitologia (1941), escrito por dois grandes mestres na área, Charles Kerény e C. G. Jung. Assim fala uma mulher em nome de todas as mulheres e mães.

“Como pode saber um homem o que é uma mulher? A vida da mulher é inteiremante diferente daquela dos homens. Deus a fez assim. O homem fica o mesmo, do tempo de sua circuncisão até o seu declínio. Ele é o mesmo antes e depois de ter encontrado, pela primeira vez, uma mulher. O dia, porém, em que a mulher conheceu seu primeiro amor, sua vida se divide em duas partes. Neste dia ela se torna outra. Antes do primeiro amor, o homem é igual ao que era antes. A mulher, a partir do dia de seu primeiro amor, é outra. E assim permanecerá por toda a vida toda”.

“O homem passa uma noite com uma mulher e depois vai embora. Sua vida e seu corpo são sempre os mesmos. A mulher, porém, concebe. Como mãe, ela é diferente da mulher que não é mãe. Pois, ela carrega em seu corpo, por nove meses, as consequências de uma noite. Algo cresce dentro dela, que jamais desaparecerá. Pois ela é mãe. E permanecerá mãe, mesmo quando a criança ou todas as crianças tiverem morrido. Pois ela carregou a criança em seu coração. Mesmo depois que ela nasceu, continua a carregá-la em seu coração. E de seu coração não jamais sairá. Mesmo que a criança não viva mais”.

“Tudo isso o homem não conhece. Ele não sabe nada disso. Ele não conhece a diferença entre o “antes do amor” e o “depois do amor”, entre antes da maternidade e depois da maternidade. Ele não pode conhecer. Só uma mulher pode saber e falar sobre isso.
É por isso que nós, mães, nunca nos deixamos persuadir por nossos maridos. A mulher pode somente uma coisa: ela pode cuidar dela mesma; ela pode se conservar decentemente; ela deve ser o que a sua natureza é; ela deve ser sempre menina e mãe. Antes de cada amor é menina. Depois de cada amor é mãe. Nissso poderás saber se ela é uma boa mulher e mãe ou não”.

Sem dúvida, trata-se se uma visão sublimada da mulher e da mãe. Pois nelas há também sombras que acompanham sempre a condição humana, também feminina.

Mas no dia de hoje, queremos esquecer as sombras para apenas focalizarmos o momento de luz que toda mãe representa. Por isso
tantos se movem nesta data: viajam até para longe para ver sua “mãezinha querida”, para dar-lhe um abraço filial e cobri-la de beijos.

Elas merecem. Pois não estaríamos aqui se elas não tivessem tido o infinito cuidado de nos acolher na vida e de nos encaminhar
pelos misteriosos caminhos da existência. A elas, nossas mães, o nosso afeto, o nosso carinho e o nosso amor: às vivas e aquelas que estão para além da vida.

Autor do livro em parceria com Rose-Marie Muraro Feminino e Masculino. Uma nova consciência pra o encontro das diferenças (Sextante) 2002.

sábado, 13 de abril de 2013

Quem Ama Cuida!


Por Marcelos Santos

Publicado em 10/01/2013

Certa vez alguém perguntou a Jesus qual seria o maior de todos os mandamentos. Jesus respondeu: “Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda sua alma e de todo o seu entendimento. (…) E o segundo semelhante a ele: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’”. (Mt 22:36-39)

Muitas vezes nos preocupamos em cumprir muitos dos mandamentos que Jesus nos deixou, mas deixamos de lado aqueles que são, segundo o próprio Jesus, a base de todos os outros: “Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”.

Mas o que é amar, na perspectiva ensinada por Jesus?

Amar é se importar com o outro em todas as circunstâncias.
Amar é ouvir o outro apesar do ponto de vista diferente.
Amar é confrontar o outro com o seu erro.
Amar é falar a verdade apesar da dor que ela poderá causar.
Amar é ser capaz de olhar nos olhos do outro e dizer o que pensa.
Amar é abrir mão e renunciar em prol do bem comum.
Amar a é se doar para abençoar o outro que passa necessidade.
Amar é atacar as ideias e não as pessoas.
Amar é submeter-se a autoridade.
Amar é obedecer.
Amar é ter liberdade de escolher caminhar junto ou trilhar um novo caminho.
Amar é honrar com responsabilidade os compromissos assumidos.
Amar é orar como Jesus: “Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.” (Mt 6:10)
Amar é cuidar.

Que em 2013 você possa cuidar daqueles e daquilo que diz amar.

domingo, 31 de março de 2013

RESSURREIÇÃO – A VITÓRIA DA VIDA

Por Robinson Cavalcanti

Apesar do ceticismo, da indiferença, da rejeição ou da repressão de tantas pessoas, nações e Estados, hoje comemoramos o dia mais importante da história da humanidade, e, em particular, o dia mais importante da história da Igreja: a universal assembleia dos remidos, o Povo de Deus, da nova e eterna aliança. Mais do que a superação da Páscoa Judaica, como prenúncio e anúncio da Nova Páscoa que haveria de vir, com a Ceia do Senhor ou Eucaristia, como memorial e sacramento, alimento espiritual para a jornada da fé, nós celebramos hoje o feito único da Ressurreição.

Ressurreição é vida de novo, e vida para sempre. Ressurreição é vitória sobre a morte, mas, também, vitória sobre o pecado e sobre satanás. Ressurreição é a reabertura das portas para a eternidade. Porque Ele ressuscitou, nós também ressuscitaremos no último dia, e reinaremos com Ele eternamente na Nova Jerusalém.

Ressurreição é a afirmação clara da singularidade, do caráter único de Jesus Cristo, Filho do Pai, segunda pessoa da Santíssima Trindade, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, caminho, verdade e vida; único Senhor e único Salvador, que recebemos de Graça pela Fé, mediante a ação do Espírito Santo.

Ressurreição é afirmar a singularidade, o caráter único das Sagradas Escrituras, Palavra de Deus, que nos trouxe as profecias messiânicas e nos narra a vida, as palavras, os gestos, os ensinos, os exemplos, a paixão, a morte e a ressurreição do Messias.

Ressurreição é afirmar a singularidade, o caráter único da Igreja, como portadora dessa mensagem.

Temos sido alimentados espiritualmente no Tempo da Quaresma, e, particularmente durante a Semana Santa, com os seus ricos ensinamentos e a sua reapropriação por nós, fortalecendo a nossa fé e a nossa esperança.

Que haja um desdobramento de santidade, de maturidade, de compromisso, de exercício de dons e vocações na missão para a qual cada um de nós foi chamado. Não somente emoções e palavras, mas atos concretos.

Verdadeiramente o Senhor Ressuscitou. Aleluia!

João Pessoa (PB), 03 de abril de 2010,
Anno Domini.
+Dom Robinson Cavalcanti, ose
Bispo Diocesano

domingo, 24 de março de 2013

Pela misericórdia de Deus


Philip Yancey

O escritor Brennan Manning, que dirige retiros espirituais várias vezes ao ano, me disse que nenhuma pessoa que seguiu seu regime para um retiro silencioso deixou de ouvir a Deus. Intrigado e cético, me inscrevi para um destes retiros com duração de cinco dias. Cada participante se encontra uma hora por dia com Brennan, que nos dava suas indicações sobre meditação e o trabalho espiritual. Também nos encontrávamos juntos para um culto diário, quando Brenann falava. Além disso, éramos livres para gastar nosso tempo como quiséssemos, com apenas uma exigência: duas horas de oração por dia.

Duvido que eu tenha dedicado mais de 30 minutos consecutivos em algum tempo em minha vida. No primeiro dia, fui até a um canto de uma campina e me encostei numa árvore. Tinha levado a indicação de Brennan para aquele dia e um caderno para registrar meus pensamentos. Por quanto tempo eu ficaria acordado?
Para minha felicidade, um bando de 147 alces (e eu tinha todo o tempo do mundo para contá-los) passeava pelo campo onde eu estava. Ver um alce é interessante; ver 147 em seu habitat natural é fascinante. Logo, no entanto, aprendi que olhar 147 alces por duas horas é muito chato. Eles afundavam suas cabeças e pastavam. Eles levantavam suas cabeças em conjunto e olhavam uma gralha estridente. Abaixavam as cabeças de novo e pastavam. Por duas horas nada mais aconteceu. Nenhum leão da montanha atacou; nenhum búfalo lutou entre si. Todos os alces se curvavam e pastavam.

Depois de algum tempo, a calma da cena começou a me incomodar. Os alces não tinham notado a minha presença. Fui envolvido em seu meio, fazendo parte do seu ritmo. Não mais pensei no trabalho que me esperava em casa, nos compromissos diante de mim e nem na leitura que Brennam me pedia. Meu corpo relaxou. No silêncio de chumbo, minha mente se aquietou.

Como escreveu Meister Eckhart, para aquietar a mente nada é mais poderoso, mais profundo, mas impressionante e perfeito que a oração. Um alce não tem trabalho para aquietar a mente; ele se dá por contente por estar num campo o dia todo com seus colegas alces, pastando. Quem ama não acha trabalhoso ir ao encontro do amado. Oro por um tipo de atenção assim absorvida diante de Deus.

Não voltei a ver os alces, por mais que procurasse nos campos e florestas. Nos dias seguintes, disse muitas palavras a Deus e me assentei em silêncio em sua presença. Fiz listas e vieram à minha mente muitas coisas que não teriam vindo se não tivesse me assentado no campo por horas naquele dia. A semana acabou se tornando uma espécie de checkup espiritual. Não ouvi nenhuma voz audível, mas no fim da semana concordei com Brennan: eu tinha ouvido a Deus.

Fiquei mais convencido de que Deus encontra formas de se comunicar com aqueles que o buscam de verdade, especialmente quando baixamos o volume do ruído ao nosso redor. Lembro-me de ter lido o relato de uma pessoa que interrompeu sua vida ocupada para gastar um pouco de tempo num mosteiro. O monge que mostrava a cela ao visitante lhe disse: “Espero que sua permanência o abençoe. Se você precisar de alguma coisa, diga-nos e nós lhe diremos como viver sem isto”.

Aprendemos a orar orando. Duas horas concentradas num dia me ensinaram muito. Para começar, preciso saber mais sobre Deus do que sobre mim mesmo quando estou orando. Geralmente vou a Deus com uma lista de compras, quando deveria ir com o desejo de gastar tempo com ele, discernir o que Ele quer de mim. Foi na campina dos alces que misteriosamente descobri que a resposta para minhas orações estava ao meu redor todo tempo. Nada mudou em meus sentidos, mas, através da oração, eu os abri para Deus. Como escreveu o poeta Rilke, quando cantamos ouvimos mais claramente.

Depois de um tempo com Deus, meus pedidos urgentes que pareciam tão importantes ganharam uma nova luz. Comecei a pedir, mas agora por causa da misericórdia de Deus. Embora minhas necessidades possam me levar à oração, é aí que me encontro com minha maior necessidade: um encontro com o próprio Deus. (Tradução de Israel Belo de Azevedo)

Philip Yancey é jornalista, teólogo e escritor.

sábado, 16 de março de 2013

Lapidando um diamante

Por: Josué Campanhã

Publicado em 27/12/07

Valter e Susana casaram-se. Eles tinham 21 anos de idade e uma cabeça cheia de sonhos. Os dois logo conseguiram comprar uma casa e Valter arranjou um bom emprego numa multinacional. Três anos depois do casamento, nasceu Suzane, uma linda garota de olhos azuis. Valter e Susana eram ativos na igreja. Trabalhavam com adolescentes, ajudavam na escola dominical e participavam de todas as atividades da igreja.

O tempo foi passando e o casamento parecia normal. Olhando de fora, faziam o tipo da família perfeita. A vida financeira estruturada, a vida profissional estabilizada, ativos na igreja, a filha já adolescente estudando normalmente, e a vida espiritual aparentemente boa.

Depois de completarem 20 anos de casamento tudo ruiu. Os dois cada vez mais irritados já não conseguiam conversar sem brigar. As conversas com a filha eram no mesmo tom, sempre um procurando rebaixar o outro. O esfriamento na vida espiritual e o afastamento das atividades da igreja chegaram num instante. Continuaram na igreja, mas como membros passivos e inertes.

O pastor foi logo procurado para se saber o que ele ou a igreja poderiam fazer pelo casal infeliz. Os que olhavam de fora não entendiam como um casamento aparentemente tão bem estruturado podia ter chegado a este estágio. Que final você daria para esta história?

O caso de Valter e Susana tem se repetido com mais freqüência a cada dia. Alguns casos chegam a um final feliz, pois o casal se quebranta diante do Senhor, deixa seu egoísmo e permite que Deus atue em suas vidas. Outros infelizmente têm um final triste, pois impera a insensibilidade espiritual, o ego e os defeitos do outro falam mais alto do que as virtudes vistas até o dia do casamento.

Ninguém chega à conclusão de que deve separar-se depois de uma briga. Isto é um longo processo de desgaste. É como um copo que vai enchendo e um dia transborda. São suas atitudes diárias que determinam se você está lapidando o seu conjugue como um diamante ou perfurando a vida do outro como uma broca afiada. A lapidação é uma obra de dedicação e arte. A perfuração é uma atitude de força e às vezes até brutalidade.

Lapidar um diamante na vida conjugal é chegar às bodas de ouro sabendo que você tem em sua casa um conjugue que é uma jóia preciosa, e que você contribuiu para isto. Além disto, conforme o casal lapida-se um ao outro, é a forma como os filhos serão lapidados. Se você deseja um tesouro em sua casa, lapide o diamante que Deus lhe deu e faça o mesmo com as pedras preciosas que são seus filhos. O final da sua história depende de você.
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