sábado, 25 de fevereiro de 2012

A Cultura Pop chegou para ficar?


Pr. Ricardo Gondim

Operado de uma simples hérnia, vi-me obrigado a uma razoável quarentena em casa. Com bastante tempo à minha disposição resolvi, por um dia, mergulhar no mundo televisivo. Liguei minha Sony e com o controle remoto na mão viajei, via cabo, às diversas opções oferecidas pela mídia eletrônica.À noite, senti-me vencido. O que assisti não era lazer, tampouco cultura. Era pura perca de tempo.

Cada dia mais me espanto com a superficialidade de minha geração. Na televisão, os noticiários estão cada vez mais rasos; evitam os temas relevantes, fogem da discussão imparcial. A "ratinização" dos programas de auditório chega a agredir o bom senso. A dramaturgia das novelas é um acinte à arte teatral.Os diálogos são patéticos. Bons atores são logo substituídos por moças e rapazes bonitinhos. Não sabendo representar, mecanicamente repetem scripts.

Os programas infantis, nada educam. Simplesmente enchem os cofres de suas apresentadoras que nada têm na cabeça e que ensinam comportamentos éticos, no mínimo questionáveis.

Na música, as letras medíocres, para fazer sucesso, necessitam apelar para sentidos ambíguos. Os rebolados das dançarinas tentam compensar a rima pobre. Os grandes poetas e músicos se esforçam, mas parecem carecer da inspiração de tempos não muito antigos quando escreviam e cantavam com maestria.

Os filmes, fazendo apologia da violência, exploram o macabro e o terror. Não conseguem criar tramas inteligentes. Mostram-se diante de nossas telas produções com enredos repetitivos, direção mal feita; claramente produzidos para dar lucro. Filmes destituídos do ideal de fazer arte.

As revistas que entulham as bancas e os livros que aparecem nas listas dos best-sellers são risíveis sob o ponto de vista literário.

Os estudiosos de nossos tempos dizem que uma das características da pós-modernidade é a falência da chamada "alta cultura" e a emergência da "cultura pop". Por "alta cultura" devemos entender como o esforço humano de dar estrutura à vida. É a complexa produção humana que inclui o saber, crenças, arte, moral, leis, costumes e todas as expressões humanas.

A "cultura pop" fortaleceu-se com a massificação dos meios de comunicação. A indústria da informação e do lazer que oferece um franco acesso ao conhecimento, vagarosamente nivelou a produção cultural por baixo.

Hoje, poucos conhecem Shakespeare, nunca leram Dostoievski, mal saberiam mencionar algum livro de Machado de Assis ou de Graciliano Ramos. Rapazes e moças detestariam uma ópera de Wagner ou de Carlos Gomes. A grande maioria nunca leu Carlos Drummond e nem sabe dizer quem foi Fernando Pessoa. Em compensação, conhece bem os filmes de Van Damme e do Bruce Willis. Gosta de ler Paulo Coelho e canta as músicas do Tchan.

Meninos e meninas ainda cantarolam as letras dos Mamonas Assassinas. Diariamente acompanham a novela das oito dando-lhe índices de audiência acima de cinqüenta pontos. Adolescentes deliram com a mocinha vestida em roupas íntimas, insinuando cenas de sado-masoquismo.

O ocidente termina o século vinte impregnado de uma "cultura pop" que Richard Hamilton, artista inglês, conseguiu descrever como: "dirigida às massas, compreensível sem exigir reflexão, facilmente substituível por outra emoção, produzida às pressas, sensual, glamorosa, aética e sempre visando o máximo de lucro."

A produção cultural do ocidente empobreceu. Daí a pertinência do lamento de T. S. Eliot: "Onde está a vida que perdemos vivendo? Onde está a sabedoria que perdemos com o conhecimento? Onde está o conhecimento que perdemos com a informação? Os ciclos do céu em vinte séculos nos levaram para mais longe de Deus e mais próximos do pó."

Mais triste é constatar que a igreja também foi afetada por essa cultura de massas. Primeiro nos Estados Unidos, depois na Europa e agora na América Latina, há uma forte tendência a transformar a igreja em "big business". Pior, "big business" do lazer espiritual.

Pastores e padres abandonaram sua vocação de portadores de boas novas. Assumiram novos papéis: animadores de auditórios e levantadores de fundos. O púlpito transformou-se em mero palco. A igreja, simples platéia.

O clero arremedou a fama dos artistas. Com estilos de vida extravagantes e caros inebriam as multidões que também almejam galgar a celebridade. Outros viram-se como empresários, vestiram-se como empresários e, pasme, contrataram guarda-costas armados para serem protegidos.

Acham-se seqüestráveis. Os cultos já não estão centrados na máxima de João Batista ? importa que ele cresça e que eu diminua. Sermões podem ser facilmente confundidos com palestras de neurolingüística.
Cantores e "artistas" se atropelam querendo renome e gordos cachês. O cristianismo ocidental não conseguiu salgar, perdeu o sabor e conformou-se em ser raso.

Os vendilhões do templo voltaram e armaram suas tendas. Infelizmente atraem-se grandes multidões não pela força argumentativa do evangelho, mas pelo bem concatenado marketing. Impressionam-se as platéias pela capacidade de aproximar a linguagem religiosa da "cultura pop" e não por propor conteúdos sólidos de vida.

Até pouco tempo, as igrejas neo-pentecostais acreditavam que seu descomunal crescimento vinha de uma bênção especial de Deus sobre suas novas propostas de prosperidade. Hoje, a explosão pop do catolicismo já atrai multidões tão enormes quanto as dessas bem sucedidas igrejas evangélicas. Prova-se assim que qualquer credo, ou confissão religiosa que souber promover um culto com as mesmas características da "cultura pop", também experimentará um crescimento vertiginoso.

Sempre que a igreja começou a percorrer uma senda perigosa e a aproximar-se dos sistemas doentes que deveria denunciar, houve fortes movimentos contrários. Quando Roma parecia estar à venda e o clero católico se emaranhou com o poder dos reis, as ordens monásticas apareceram.

Quando Tetzel vendeu indulgências, prometendo menos sofrimento no purgatório em troca de algumas moedas, Lutero protestou. Quando a igreja protestante se institucionalizou e perdeu relevância, surgiram os anabatistas propondo a separação radical da igreja e do estado. Quando a rigidez teológica tentava sufocar a ação de Deus, os pentecostais levantaram-se mostrando que ele age como quer e não respeita as sistematizações humanas.

Precisamos de novos movimentos de reforma e protesto dentro do cristianismo ocidental. Os desafios de hoje requerem que os pastores voltem a "apascentar o rebanho de Deus, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto" (I Pe 5.2).

Que as igrejas sejam espaços de fraternidade onde nos revestimos como "eleitos de Deus, santos, e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade" (Cl 3.12).

Diante do estrelismo, os pastores precisam optar pela discrição; reaprender a ser singelos de coração.
Devem lembrar-se de uma citação antiga: "A glória é como um círculo n'água que nunca deixa de aumentar, até que por força de seu próprio crescimento dispersa-se em nada".

O crescimento numérico das igrejas engana. Tem mais a ver com fenômenos sociais que uma legítima ação do Espírito Santo. Líderes religiosos devem evitar essa corrida insana de notoriedade. A riqueza e popularidade de alguns nada significam nas realidades espirituais.

Euclides da Cunha advertia em Os Sertões: "Se um grande homem pode impor-se a um grande povo pela influência deslumbradora do gênio, os degenerados perigosos fascinam com igual vigor as multidões tacanhas". Deixemos que o apóstolo Paulo fale novamente aos nossos corações:

"Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. E na verdade, tenho também por perda todas as coisas pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, pelo qual sofri a perda de todas estas coisas e as considero como esterco, para que possa ganhar a Cristo" (Fp 3.7-8).

A igreja será sal e luz, somente quando caminhar na rota inversa das tendências de sua geração e mostrar-se simples em suas ambições. Caso contrário, continuará dizendo a si mesma: "Estou rica e abastada e não preciso de coisa alguma". Mas ouvirá de Cristo: "Não sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre cega e nua".

Que Deus nos ajude a comprar ouro refinado pelo fogo para nos enriquecer, vestiduras brancas para nos vestir, a fim de não ser manifesta a vergonha da nossa nudez. Compremos colírio para ungir os nossos olhos e vejamos" (Ap. 3.17-18).

Soli Deo Gloria.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Não basta correr mais rápido


Ed René Kivitz

Para quem deseja independência para fazer o que gosta

Toda terça almoço com um grupo de oito profissionais. Todos jovens, sadiamente ambiciosos e acreditando que um dia vão dar a tacada certa. Em comum, o desejo de conciliar o sucesso profissional com a qualidade de vida pessoal, ou como disse Jesus, descobrir como ganhar o mundo sem perder a alma. Aliás, vez por outra discutimos a respeito de quem foi que disse que temos mesmo que ganhar o mundo, e se o projeto de ganhar a alma já não seria suficientemente desafiador e compensador. Mas o fato é que todos temos que defender o leite das crianças e já que estamos metidos no mercado, buscamos encontrar caminhos menos opressivos e estressantes. Nem precisa dizer que ninguém está contente com a vida de assalariado.

Dia desses a conversa começou quando um deles me perguntou como poderia fazer um plano de vida e carreira que o levasse à independência financeira de modo a poder se dedicar às coisas que realmente acredita, sabe e gosta de fazer. Essa foi fácil. A resposta já estava embutida na pergunta. Não tenho a menor dúvida que a independência financeira não é um pré-requisito para que alguém se dedique ao que acredita, sabe e gosta de fazer. Justamente ao contrário: a independência financeira é uma conseqüência natural para quem se dedica ao que acredita, sabe e gosta de fazer. Em outras palavras, o segredo do sucesso é a vocação.

Aristóteles disse que onde suas habilidades se cruzam com as necessidades ao seu redor, aí está sua vocação. O gênio definiu uma equação com três conceitos: habilidades mais necessidades igual a oportunidades. Para mim, vocação é a maneira como Deus se expressa através de uma pessoa. Todo mundo tem uma centelha da divindade, que os teólogos dizem estar embutida na imago Dei, a imagem e semelhança de Deus, segundo a qual foram criadas todas as pessoas. Acredito nisso. Os consultores chamam isso de talento. Eu chamo de vocação.

Talento é uma habilidade que você tem. Vocação é uma coisa que você é. Por exemplo, uma mulher cujo talento é costurar usa seu talento enquanto está costurando. Mas costurar é uma habilidade. A vocação é algo mais fundo, mais intrínseco à natureza da pessoa. Algo como ser bom com pessoas, ser bom com raciocínio abstrato, ser bom com música, ser bom de coordenação motora e por aí vai. Ou então ser criativo, ter senso de humor, ser empático, isto é, saber se colocar nos sapatos do outro. Observe que o sujeito que é criativo é capaz de encontrar soluções no trabalho, mas também tem grandes sacadas para resolver conflitos familiares ou simplificar uma reunião de condomínio [Vai ser criativo assim lá longe!]

O segredo, portanto, é você identificar quem você é, como você funciona, qual é o conjunto de habilidades embutidas na sua natureza individual e singular. O grande lance é discernir o que é que você faz "com o pé nas costas" ou o que você faz naturalmente, como uma extensão de você mesmo. Em seguida você tem que buscar a excelência. Fazer como o Michael Jordan, que praticava mais de mil arremessos diariamente. Depois, você identifica o mercado, isto é, faz uma lista de quem são as pessoas e ou organizações que precisam desse seu jeitão peculiar de ser. Saber quem pode se beneficiar da sua vocação é meio caminho andado. Aí está a oportunidade. O último passo é você embalar a coisa de maneira atrativa para o seu mercado.

Aquela lengalenga de formar filho doutor, e que profissionais bem sucedidos são aqueles que cursaram universidade e arrumaram um bom emprego é coisa do passado. Não é isso que ensino aos meus filhos. O que quero para meus filhos é que eles identifiquem sua vocação, seu pool de talentos. Depois a gente pergunta onde eles podem desenvolver ao máximo esse mix singular que Deus lhes deu. Pode ser uma universidade, um estágio na floresta Amazônica, dias inteiros, inclusive finais de semana, atrás de um balcão, num laboratório dissecando rãs, ou quem sabe, atrás de um teclado de computador ou pilotando um fogão.

Você já ouviu falar em Jim McCann? Pois o camarada tinha uma pequena floricultura em Manhattam e hoje é o dono da 1-800-FLOWERS, a maior fornecedora de flores do mundo, onde se pode enviar flores e outros badulaques bonitinhos através de um clique no mouse ou discando um 1-800 que eu não sei qual é, até porque os caras não entregam no Brasil.

E no senhor Irineu Evangelista de Souza, já ouviu falar? Talvez não, mas você sabe quem é. Entrou para a história como o Barão, e depois, Visconde de Mauá. Começou como balconista de uma loja de tecidos, e foi também caixeiro. Depois foi trabalhar numa empresa de importação, onde ainda na adolescência foi o homem de confiança do patrão, aos 23 foi promovido a gerente, logo depois, se tornou sócio da firma, e aos 32 já era um dos homens mais ricos do Império. Foi quando decidiu investir na construção dos estaleiros da Companhia Ponta da Areia, em Niterói (RJ), o que o tornou fundador da indústria naval brasileira. Foi também banqueiro, participou da construção de ferrovias e rodovias e da implantação de uma companhia de gás para iluminação pública. Gostaria de saber em que escola se aprende isso. Abre mais parêntesis. É bem verdade que antes de morrer ele dissolveu todo o patrimônio para pagar dívidas e você pode dizer que ele ganhou o mundo e perdeu a alma, e depois perdeu o mundo que havia ganhado. Há controvérsias. E caso você tenha razão, acho que ele poderia ter se beneficiado muito dos meus almoços às terças. (Vai ser pretensioso assim lá longe!). Fecha parêntesis.

O fato é, companheiro, (achavas que eu ia esquecer o Luiz Inácio Lula da Silva?), que o futuro é dos que são capazes de transformar seu mix de talentos em produto ou serviço. Estes são os que têm um profundo senso de sua vocação e sabem onde querem chegar. No meio do caminho vão encontrando meios de se aperfeiçoar, aprender, crescer. Eles não esperam chegar lá para que depois se dediquem a uma coisa que eles acreditam, sabem e gostam de fazer. Eles chegam lá exatamente porque se dedicam a fazer uma coisa que acreditam, sabem e gostam de fazer. Ou como disse Eric Liddell, uma das estrelas inglesas dos Jogos Olímpicos de 1924, "para ser campeão não basta correr mais rápido, é preciso gostar de correr".

sábado, 11 de fevereiro de 2012

A Igreja que não existe mais


por Ariovaldo Ramos

“Todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens e os repartiam por todos, segundo a necessidade de cada um. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E cada dia acrescentava-lhes o Senhor os que iam sendo salvos.” At 2:43-47
Na época do surgimento da Igreja do Novo Testamento, a palavra igreja significava, apenas, uma reunião qualquer de um grupo organizado ou não. Assim, o texto nos revela que havia um grupo organizado em torno de sua fé (Todos os que criam estavam unidos) – todos acreditavam em Cristo.

Segundo o texto, os participantes do grupo do Cristo não tinham propriedade pessoal, tudo era de todos (tinham tudo em comum) – os membros desse grupo vendiam suas propriedades e bens e repartiam por todos – e isso era administrado a partir da necessidade de cada um; e se reuniam todos os dias no templo; e pensavam todos do mesmo jeito, primando pelo mesmo padrão de vida (unânimes); e comiam juntos todos os dias, repartidos em casas, que, agora, eram de todos, uma vez que não havia mais propriedade particular; e eram alegres e de coração simples; e viviam a louvar a Deus; e todo o povo gostava deles, e o grupo crescia diariamente. Diariamente, portanto, havia gente acreditando em Cristo, se unindo ao grupo, abrindo mão de suas propriedades e bens e colocando tudo à disposição de todos.

Essa Igreja era a Comunhão dos santos – chamados e trazidos para fora do império das trevas, para servirem ao Criador, no Reino da Luz.

Essa Igreja não precisava orar por necessidades materiais e sociais, bastava contar para os irmãos, que a comunidade resolvia a necessidade deles.

Deus havia respondido, a priori, todas as orações por necessidades materiais e sociais, fazendo surgir uma comunidade solidária.

O pedido: “O pão nosso de cada dia, dá-nos hoje." (Mt 6.9) estava respondido, e diariamente.

Então, para haver o “pão nosso” não pode haver o pão, o bem ou a propriedade minha, todos os bens e propriedades têm de ser de todos.

Mais tarde, eles elegeram um grupo de pessoas, chamadas de diáconos – garçons, para cuidar disso (At 6.3). Então, diante de qualquer necessidade, bastava procurar os garçons, que a comunidade cuidava de tudo. Era o princípio do direito: se alguém tinha uma necessidade, a comunidade tinha um dever.

Essa Igreja não existe mais!

“Está doente algum de vós? Chame os anciãos da igreja, e estes orem sobre ele, ungido-o com óleo em nome do Senhor; e a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados.” Tg 5.14-15
Os membros da comunidade do Cristo não precisavam orar por cura física, bastava procurar os presbíteros: lideres eleitos pelo povo, a partir de suas qualidades como cristãos (1Tm 3.1-7); que eles ungiriam com óleo, que representa a ação do Espírito
Santo, porque é o Espírito Santo, quem unge e cura (Lc 4.18), e a pessoa seria curada; claro, sempre segundo a vontade do Senhor, porque essa é a regra de ouro: “Venha o teu Reino, seja feita a tua vontade, assim na Terra como no Céu." (Mt 6.10)

Os crentes em Jesus de Nazaré, não precisavam fazer varredura espiritual para ver se tinham qualquer problema, parecido com o que hoje é chamado de maldição hereditária, ou similar. A oração dos presbíteros ministrava o perdão de Deus, conquistado por Cristo na cruz e na ressurreição.

Deus havia respondido todas as orações por cura física pela instituição de presbíteros, que tinham a autoridade para ministrar o poder de Cristo sobre a enfermidade, segundo a vontade de Deus, dependendo, portanto, apenas, do que o Altíssimo tivesse decidido sobre a pessoa em questão.

Essa Igreja não existe mais!

Pelo que orava a Igreja do Novo Testamento?

“Mas eles ainda os ameaçaram mais, e, não achando motivo para os castigar, soltaram-nos, por causa do povo; porque todos glorificavam a Deus pelo que acontecera; pois tinha mais de quarenta anos o homem em quem se operara esta cura milagrosa. E soltos eles, foram para os seus, e contaram tudo o que lhes haviam dito os principais sacerdotes e os anciãos. Ao ouvirem isto, levantaram unanimemente a voz a Deus e disseram: Senhor, tu que fizeste o céu, a terra, o mar, e tudo o que neles há; que pelo Espírito Santo, por boca de nosso pai Davi, teu servo, disseste:
Por que se enfureceram os gentios, e os povos imaginaram coisas vãs? Levantaram-se os reis da terra, e as autoridades ajuntaram-se à uma, contra o Senhor e contra o seu Ungido. Porque verdadeiramente se ajuntaram, nesta cidade, contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, não só Herodes, mas também Pôncio Pilatos com os gentios e os povos de Israel; para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho predeterminaram que se fizesse. Agora pois, ó Senhor, olha para as suas ameaças, e concede aos teus servos que falem com toda a intrepidez a tua palavra, enquanto estendes a mão para curar e para que se façam sinais e prodígios pelo nome de teu santo Servo Jesus. E, tendo eles orado, tremeu o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo, e anunciavam com intrepidez a palavra de Deus.” At 4.21-31

Oravam para que nenhum sofrimento os impedisse de glorificar a Cristo, de anunciá-lo com coragem e determinação – o Cristo que eles viviam diariamente pela fraternidade
solidária. Oravam por missão!

Para além da Igreja que está sob perseguição, não há sinal de que essa Igreja ainda exista!

O que existe?

- A Comunhão dos santos existe na realidade da Igreja invisível. Mas, que relevância tem na história uma igreja invisível?
- Ajuntamentos cúlticos – há os que procuram se pautam pela Bíblia, e os que nem tanto.
- Instituições – (muitas e cada vez mais) há as que ainda tentam ser apenas um odre para o vinho, e as que nem tanto.
- Discursos sobre Cristo e sua obra – há os que falam sobre Jesus, segundo a Bíblia, e os que nem tanto.
- Conversões pessoais – há as que trazem marcas do Novo Testamento, e as que nem tanto.
- Missionários – há os que pregam a Cristo, sua morte e ressurreição, e os que nem tanto. O apoio ao missionário está mais para esmola do que para sustento.
- Ação social – há as que querem emancipar o pobre, por amor a Cristo, e as que nem tanto.
- Pastores e Lideres – há os que tentam alcançar o padrão dos presbíteros do Novo Testamento, e os que tanto menos.
- Títulos - em profusão, constratanto com a escassez de irmãos.
- Orações - principalmente, por necessidades materiais, sociais e de cura, que parecem não ser respondidas, pelo menos, não a contento.
- Milagres – (mas pessoais) a misericórdia divina continua se manifestando, porém, não se entende mais o princípio de sua ação.
- Ministérios – há os que são ministros (servos), e os que nem tanto.
- Riqueza – Instituições estão cada vez mais ricas, e há os que usufruem da mesma.
- Irmãos e irmãs que amam a Cristo e a Igreja, mas que estão cada vez mais confusos sobre o que estão assistindo – e há, cada vez mais, um amor em crise.

E ecoa a voz do Cristo: Contudo quando vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra? (Lc 18.8)

Talvez, ainda haja tempo de pedir perdão!

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Eu ri


Por Luiz Leite

Em sua criteriosa busca pela verdade os cientistas honestos prosseguirão incansáveis, esmiuçando a matéria até descobrir a face de Deus. A pergunta é se encontrarão um rosto que ri de alegria, como um pai que festeja ao ser encontrado por uma criança.

A minha reação foi tão automática quanto espontânea... Uma risada gostosa levou meus músculos faciais todos a uma sessão exaustiva de aérobica... nenhum sequer foi poupado. No final estávamos, eu e eles, esgotados, desfrutando de uma sensação prazerosa de bem estar, coisa que só uma deliciosa gargalhada poderia proporcionar.

É interessante, mas até uma risada pra ser gostosa de fato, tem que ser original... se forçada, não vale! Pior, nos faz sentir ridículos! A risada é um enigma ainda pouco compreendido. Uma coisa é certa, creio, proporciona benefícios terapêuticos ainda por descobrir. Para mim funciona como, quando ao abrir das janelas de uma casa abafada, recebemos uma lufada de vento fresco, refrigerando todo o ambiente. É mais ou menos por aí. Neuróticos de toda linha podem se deliciar com a metáfora; aos psicopatas, entretanto, fica vedado o significado da mesma, pois, não conseguem lidar com tais coisas. Mas a razão de tão agradável gargalhada foi a matéria de capa da Revista Época, edição de março/09. Uma capa simples, mas criativa, no melhor estilo lúdico, traz a frase: “A fé que faz bem à saúde - Novos estudos revelam que nosso cérebro nasceu programado para acreditar em Deus - e isso nos ajuda a viver mais e melhor.” Ao ler a frase pensei comigo: “Pronto! agora ninguém mais nos segura... acabamos de inventar a roda!” Faltei rolar no chão. A matéria, assinada por Letícia Sorg, diz:

“Cientistas de diferentes áreas se debruçaram sobre a questão nos últimos anos e chegaram a conclusões surpreendentes. Não só a fé parece estar programada em nosso cérebro, como teria benefícios para a saúde.”

Como o propósito da matéria não era construir um tratado sobre fé e religião, é óbvio que acaba descambando para a direção pretendida, que é investigar o fenômeno religioso pelas lentes dos achados mais recentes das neurociências. Os neurocientistas estão redescobrindo o continente da fé com milhares de anos de atraso.

A matéria revela “novidades” que, para os que mantêm um relacionamento com Deus não passam de rudimentos já bastante conhecidos por qualquer pessoa que esteja dando os seus primeiros passos na eletrizante estrada da fé. As conclusões dos estudos revelam que a fé em Deus reduz a ansiedade, ajuda a lidar melhor com os erros, dá equilíbrio diante dos problemas e etc. Um professor da Universidade de Toronto revela ao mundo uma preciosa pérola. Diz o psicólogo:

“Suspeitamos que a crença religiosa protege contra a ansiedade porque dá um sentido para as pessoas. Ajuda-as a saber como agir e, com isso, reduz a incerteza e o estresse.” “Suspeitamos...” kkkkkkkkk;

Perdoem-me a gargalhada, mas essa foi hilária. Não parou por aí. Continuei rindo na medida em que lia o texto. As risadas, entretanto, em nenhum momento beiraram o deboche. Simplesmente me alegrava com a constatação, pela ciência, de que a espiritualidade consistente é mesmo fonte inesgotável de benefícios. “A influência da crença em Deus na redução do estresse já é quase um consenso entre os médicos”, diz a matéria, amparando-se na avaliação do Dr. Marcelo Saad, doutor em reabilitação. Diz mais o Dr Saad: “As doenças relacionadas ao estresse, especialmente as cardiovasculares, como a hipertensão, o infarto do miocárdio e o derrame, parecem ser as que mais se beneficiam dos efeitos de uma espiritualidade bem desenvolvida.” Agora, para terminar, as pesquisas apontam para a necessidade de congregar!! Segundo as conclusões a que chegaram, a fé, para que seja eficaz, deve ser engajada. A ciência confirmando a verdade bíblica? Pois é o que parece. Neste ponto os estudos afirmam que “o apoio social é algo extremamente valioso para a saúde física, inclusive para a sobrevivência e a longevidade”. Um sociólogo e professor da Universidade do Texas, Robert Hummer, que acompanha um grupo de pessoas desde 1992 para tentar esclarecer a relação entre a religião e a saúde, entre outras coisas, diz, segundo a pesquisa, que quem nunca praticou uma religião tem um risco duas vezes maior de morrer nos próximos oito anos do que alguém que a pratica uma vez por semana. Em sua criteriosa busca pela verdade os cientistas honestos (há os picaretas que forçam os dados e mascaram fatos para os propósitos unicamente mercantilistas de segmentos altamente prostituídos como o da indústria farmacêutica) prosseguirão incansáveis, esmiuçando a matéria até descobrir a face de Deus, ambição já ventilada pelo celebrado físico Stephen Hawking. A pergunta é se encontrarão um rosto que ri de alegria, como um pai que festeja ao ser encontrado por uma criança brincando de esconde-esconde, ou um riso de ironia como resposta a arrogância do coração do homem. “Mas, porque clamei, e vós recusastes; porque estendi a minha mão, e não houve quem desse atenção; antes desprezastes todo o meu conselho, e não fizestes caso da minha repreensão; também eu me rirei no dia da vossa calamidade; zombarei, quando sobrevier o vosso terror...” (prov 1.24-26) Lembrei da frase de Jastrow que admite uma possibilidade que seria um pesadelo para os ateus. Esse pesadelo seria o desconcerto dos cientistas quando por fim se virem forçados a concordar com o fato de que os vestígios deixados no cenário vão conduzir diretamente ao Criador que por séculos insistiram em negar. Disse o astrônomo: “Para o cientista que viveu pela fé no poder da razão, a história termina como um pesadelo. Ele escalou a montanha da ignorância; está prestes a conquistar o pico mais alto; e, quando chega á última pedra, é cumprimentado por um bando de teólogos que estavam sentados ali há séculos”. Aguardemos a pós-história onde teremos todas as perguntas respondidas e todos os conflitos solucionados! Apesar de agnóstico, e pelo que parece, agnosticismo moderado, o que no fundo não passa de uma espécie de ateismo inseguro, Jastrow desconfia que os homens e mulheres de fé tem de fato um segredo que as lentes da ciencias ainda não conseguiram captar. Graças aos estudos recentes da neurociência as primeiras camadas do grande “mistério” estão começando vir à luz. Tomara que tenham tempo para reavaliar suas convicções!

Luiz Leite
Escritor, conferencista, administrador de empresas e psicanalista. Preside a International Fellowship Network e pastoreia a Igreja Vida com Cristo, em Belo Horizonte(MG)
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