domingo, 24 de fevereiro de 2013

Saudade para sempre

Por Sérgio Andrade (http://deaosergioandrade.com.br)

Publicado em on julho 9, 2012

Em geral, as pessoas não admitem, porém há uma enorme dificuldade entre a maioria delas para refletir com profundidade acerca de temas importantes, tais como nossas perdas, nosso luto e nossa saudade. Em diversas ocasiões, isto só acontece quando somos confrontados com o inesperado: a partida de alguém.

Ente tantos sentimentos, em condições como estas nada mais difícil que encarar do que a presença da saudade.

Para Pablo Neruda, poeta chileno, saudade “é solidão acompanhada, é quando o amor ainda não embora. Saudade é amar um passado que ainda não passou. É recusar um presente que nos machuca. É não ver o futuro que nos convida…Saudade é sentir que existe o que não existe mais…Só uma pessoa no mundo não deseja sentir saudade: aquela que nunca amou. E esse é o maior dos sofrimentos: não ter por quem sentir saudade, passar pela vida e não viver”.

Com atenção, percebemos que ao escrever para Timóteo, o apóstolo Paulo abordou este tema com seu jovem aprendiz. Ele afirmou que trazia consigo lembranças daquelas que foram exemplos e educadoras para o iniciante pastor: “Trazendo à memória a fé não fingida que em ti há, a qual habitou primeiro em tua avó Lóide, e em tua mãe Eunice, e estou certo de que também habita em ti.” (2 Tm 1.5).

Neste contexto, Paulo nos indica que a saudade se evidencia como algo relevante quando vem acompanhada pelos aprendizados que recebemos daqueles que partiram. Fé, cuidado, lealdade e consagração são palavras e princípios presentes que indicam o legado que nutre e concede razão à saudade.

Percebemos ainda, nestas relações, que a saudade tem importância quando é abençoadora para aqueles que nos cercam. Isto ocorre quando nossas lembranças extrapolam o sentimentalismo e o infantilismo para reverberar as certezas que permaneceram apesar dos anos passados. “Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus. E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros.” (2 Tm 2.1-2).

Finalmente, reconheçamos que a saudade bem vivida nos impulsiona para frente, pois com ela celebramos a vida e o futuro. Quem somos hoje deve ser resultado desta trajetória que começa com o outro, passa por nós e será perpetuada por aqueles que virão (2 Tm 3.14-17).

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Existe Deus?

Por Esther Carrenho

Publicado em 21 de abril de 2009

Eu tinha menos de 30 anos e de repente me vi pensando: “Será que Deus existe mesmo?” Achei que fosse um pensamento passageiro que logo iria embora e me deixaria em paz. Mas não foi o que aconteceu. Aquela idéia, de que Deus poderia não passar de um conto da carochinha, continuou me perseguindo como se fosse um juiz dando um veredicto. E o tormento continuou por dias e dias! A coisa seria simples se eu pudesse deixar estas coisas de crença e fé para lá. Até tentei, mas vi que, do outro lado, algo me chamava para crer mesmo que não pudesse ver nada de concreto á minha frente nesta questão de fé religiosa. Entrei num conflito angustiante, como se estivesse entre o diabinho e o anjinho. Duvidava que Deus existisse, mas não tinha como abandoná-lo. Era um pesadelo que eu vivia silenciosamente.

Até que um dia contei ao meu marido. Ele pensou um pouco e perguntou: “Se você morrer e descobrir que tudo o que cremos é bobagem, o que terá perdido por viver da forma como está vivendo?”. Respondi meio timidamente: “Nada!”. Depois dessa resposta, comecei a pensar no tipo de vida que eu levava por causa da fé no Cristo Redentor que se entregou ao sacrifício vicário para que eu tivesse um novo jeito de viver. E descobri algumas coisas.

A primeira é que não fui eu quem fui atrás da fé; foi ela quem veio até onde eu estava. Segunda coisa: a minha vida nunca mais foi a mesma. Uma revolução de dentro para fora inexplicavelmente aconteceu no dia em que percebi que fazia sentido o amor de Deus externado na cruz. Terceira: só saber coisas sobre Deus nunca me ajudou, mas simplesmente observar o movimento do mistério da fé na minha vida sempre me surpreendia. E, finalmente, as mudanças no meu interior eram tão nítidas que me sentia como se minha vida saísse de dentro de mim, saltasse na minha frente e de dissesse: “Olha eu aqui! Eu sou o retrato das marcas da Existência do Todo Poderoso!” Então, mesmo quando muitas vezes não sinto nada, ou pior, às vezes até pergunto se Deus não está anestesiado, tenho que reconhecer que o milagre das mudanças na minha própria vida só pode ser sinal da realidade de um Deus vivo! Fé é sentimento, mas é também razão; é intuição mas é também percepção, é pensar, refletir e avaliar. E foi avaliando que cheguei á conclusão de que muito do que eu supunha saber sobre Deus era apenas a imagem distorcida de Deus, que me fora passada por meus pais, meus lideres religiosos e até por mim mesma. Houve situações em que a descrença não era a falta de fé em Deus, era apenas a descoberta de um ídolo que ocupava minha compreensão e distorcia a imagem do Divino que habita em mim.

Minha crise acabou por me levar a uma experiência mais significativa e me deu mais base racional e mais recursos emocionais para lidar com as demais crises. E talvez o melhor; ampliou o meu coração para compreender e acolher não só aqueles que passam por dúvidas, mas também os descrentes!

Nos meus encontros de ajuda profissional e aconselhamento, tenho encontrado as mais diferentes atitudes diante das dúvidas e crises em relação á fé. Alguns as rejeitam terminantemente e fogem delas como se fossem demônios, outros entram em desespero, mas tiram todo proveito possível e aprofundam mais ainda na experiência com o Sagrado. Outros, que confundiram religiosidade com o andar com Deus, acabam por descobrir que suas crises eram com as organizações religiosas e se tornam mais próximas do Pai do antes. Há também aqueles que transferem para Deus a experiência que tiveram com pai terreno. A crise chega testando o grau de maturidade emocional e a capacidade de desvincular a figura paterna de Deus. Nem todos conseguem, e muitas vezes o mais fácil- principalmente se a pessoa teve um pai violento, ausente ou indiferente – é abandonar qualquer idéia de Deus. Muitos outros resolvem a crise da descrença desistindo de tudo que diz respeito á fé e deixam de desenvolver a própria espiritualidade, negando desta forma uma dimensão do ser humano. Sei que não é fácil crer em algo que não se vê e que nem sempre responde aos anseios legítimos de ver menos sofrimento, menos opressão e menos injustiça. Sei que os ataques de descrença são horrorosos e minam toda e qualquer energia psíquica, emocional e física e podem realmente levar uma pessoa ao abismo da incredulidade. Sei também que não crer pode afastar a culpa e desconforto que acompanham quem satisfaz egoisticamente seus desejos e vontades. Sei que somente quem tem fé pode vir a ser atacado por duvidas e descrenças que surgem por diversas causas ou razoes.

A fé cristã é um caminho de aventuras, sem fórmulas e sem receitas, a graça de Deus é abrangente demais para caber em qualquer equação humana e o amor divino é tão profundo e misterioso que acredito haver um mover de Deus em direção à pessoa que crê e também da que não crê. Mesmo que este mover seja imperceptível aos olhos humanos.

Esther Carrenho cursou teologia, é psicóloga, palestrante e autora dos livros: Depressão – tem luz no fim do túnel, Raiva: seu bem, seu mal e Ressurreição Interior.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Sofrimento


Por Ed René Kivitz

Publicado em 05 de Junho de 2012

"Aceitar a realidade e inevitabilidade do sofrimento é escolher a vida, decidir amar, optar pela plenitude, apostar na fé."

O sofrimento pode ser o caminho através do qual chegamos às nossas verdades. A estrada pela qual chegamos à maturidade atravessa, necessariamente, a escuridão e a solidão. A escuridão, porque sofrer implica perder as referências, desdenhar das explicações, questionar os clichês e aventurar perguntas. A escuridão é o momento quando não caminhamos porque vemos, mas porque intuímos, recordamos e temos fé. Intuímos o rumo certo pelo tanto que já caminhamos, recordamos as experiências aprendidas em momentos semelhantes no passado e andamos por fé, que supera as trevas, prescinde de explicações e transcende as certezas.

A solidão é imprescindível na trilha do sofrimento. A dor pode ser compartilhada, mas jamais transferida. Pode ser percebida, mas não capturada. Pode até ser escondida, mas nunca suprimida. Quem sofre, sofre sempre em solidão. Não necessariamente porque lhe falta boa e providencial companhia, mas porque todo sofrimento pessoal, em sua dimensão mais profunda e essencial, é intransferível. O sofrimento tem sua realidade particular, e não pode ser diferente: cada um sofre por uma razão, é vitimado em áreas distintas, por motivos diversos e com respostas as mais variadas, num dégradé de resiliência que vai da meninice do chororô ao heroísmo quase estóico, incluído entre os tons das cores a grandeza da fé, resignada e esperançosa, e por isso engajada e mobilizadora.

O sofrimento desperta para o ético e o estético. Convoca virtudes adormecidas a que subam ao palco: coragem, perseverança, paciência, honradez, respeito à vida. Possibilita o lapidar do caráter, apara arestas, harmoniza as formas, faz irromper a beleza escondida na frieza do coração. O sofrimento quebranta orgulhosos, vaidosos e prepotentes, faz desmoronar intransigentes, legalistas e moralistas. Como o martelo do escultor, retira os excessos da pedra e dá à luz o belo, o sublime, o deslumbrante.


Quem sofre descobre seus limites, identifica verdadeiras amizades, vislumbra novos horizontes, abre a mente para novas verdades e o coração para novos amores. O sofrimento produz compaixão, evoca misericórdia, gera solidariedade. O sofrimento cria caminhos para arrependimentos e confissões, subverte juízos e sentenças, possibilita aproximações e reconciliações.

O sofrimento coloca homens, mulheres, velhos e crianças, de joelhos. Faz com que os olhos procurem os céus. Dilata a alma para o mistério, conclama o espírito para o inefável, inspira poesias e canções, faz surgir nos lábios o perfeito louvor. Quem sofre aprende a perdoar e pedir perdão. Ganha a oportunidade de colocar o rosto no chão, em clamor e oração. O sofredor jamais chora em vão. Deus habita também a sombra e a escuridão.

O sofrimento é o ônus do viver, o custo do amor, a paga pelo crescimento, o preço da maturidade. Viver é muito perigoso, já dizia Guimarães. Amar é muito precioso. Crescer é muito doloroso. Amadurecer é muito custoso. Crer é coisa de teimoso. O sofrimento diminui o poder da morte, dissolve a crueldade da indiferença, envergonha a pequenez da alma, desmascara o mundo de mentirinha da ingênua infância, quebra a maldição da incredulidade. Aceitar a realidade e inevitabilidade do sofrimento é escolher a vida, decidir amar, optar pela plenitude, apostar na fé.

Fonte: Ed René Kivitz

sábado, 2 de fevereiro de 2013

O lugar onde quero viver


por Ariovaldo Ramos

Você sabe qual é a condição básica para a formação de uma nova família?

Você pode dizer: que as pessoas se amem, que sejam dedicados, que se tratem bem, que sejam carinhosos, etc.

Pois eu quero dizer-lhe que é possível pessoas que se amam, que se tratam bem, que são carinhosos entre si, não conseguirem formar uma nova família. Sabe o porquê? Porque não conseguiram abandonar a família antiga.

A Bíblia diz: Por essa razão o homem deixará pai e mãe e se unirá a sua mulher e eles serão, ambos, uma só carne (Gênesis 2:24).

O amor é essencial para que as pessoas se aproximem, e se encontrem, e desejem ficar juntas. O carinho, o tratar-se bem, é essencial para que elas mantenham o amor, mas, para formar uma nova família é preciso que elas tenham se libertado da relação anterior; que elas tenham amadurecido a ponto de deixar pai e mãe.

Quantos e quantos casais que se amam, e que se tratam com carinho, e que se querem bem, não conseguem sustentar a sua vida familiar, pelo simples fato de que não conseguiram romper com a casa paterna. E é preciso romper.

Romper, não significa passar para um situação de desrespeito, ou e desprezo em relação aos pais, mas significa assumir a autonomia em relação a sua vida. Deus, um dia, chama um casal para formar um outro clã, um outro núcleo familiar: e isso significa abandonar o núcleo anterior.

Se antes você, moço, estava submisso ao chefe da casa, que era seu pai, agora você é o chefe de uma nova casa, e essa casa agora é a sua prioridade. Se antes você moça, devia obediência ao seu pai, agora você se relaciona com o seu marido. É com ele agora que você discute a vida e é com ele que você a decide. Tem de haver o rompimento.

Quando o marido ou a mulher está sempre voltando para a casa paterna para avaliar o seu casamento, seja como for: reclamando ou simplesmente relatando o que acontece de forma indiscriminada, está condenando a sua casa a desabar.

A nova família tem de nascer de um alicerce próprio. Os pais certamente terão legado aos filhos: estrutura, princípios, valores, fé; mas, quando os filhos são convocados, pela vida e por Deus, a formarem uma nova família, eles têm de levar dos pais os princípios, os valores e a fé que receberam, mas têm de construir a sua casa a partir de um alicerce novo, um alicerce construído a dois. É uma nova história que se está escrevendo, uma nova página que se está lendo, uma nova estrutura que se está construindo. Há lugar para amor aos pais, lugar para a saudade, mas não há mais lugar para dependência. É assim que a Bíblia diz.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Para não viver em vão


Por Ricardo Gondim

Publicado em 4/06/2012

Para não viver em vão é preciso oscilar entre as margens do bem e do mal, do ódio e do amor, da delicadeza e da estupidez. Por algum motivo, a sabedoria milenar acertou: a virtude pertence aos moderados. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.
Para não viver em vão é preciso flutuar com leveza. Se necessário, encher os pulmões de nitrogênio e acompanhar o voo dos balões. E se o desejar as altura for inevitável, não deixar que o fascínio das nuvens roube o acocorar-se ao lado de quem está agrilhoado à crueldade da vida.

Para não viver em vão é preciso levar-se a sério. Mas não com tanta gravidade. Alguns, impertinentes, deixam a impressão de que a virtude é incômoda – como uma mala sem alça. Tem hora que é bom viver sem propósito, ao sabor dos ventos. Por que não celebrar a improdutividade? Por que não aplaudir as cigarras? Seriam as formigas, que seguem em fila sem notar que obedecem a rainha, o melhor exemplo?

Para não viver em vão é preciso vez por outra desentrevar a espiritualidade de protocolos solenes. O cerimonialismo torna a fé um assunto para gente sisuda. Que alívio considerar Deus “um cara muito legal”, compreensivo, longânimo e que não mete medo. Que tal ensinar que Deus gosta de tornar qualquer um íntimo seu?

Para não viver em vão é preciso evitar varrer a inveja para debaixo dos tapetes do cinismo, assumir-se sem afetação, procurar o próprio caminho; e ter coragem de cantar no banheiro.

Para não viver em vão é preciso acordar tarde, comer chocolate sem culpa, presentear perfume caríssimo, sentar para almoçar sem hora para acabar, desligar o telefone celular, conversar um monte de besteira, rir à solta e ler romance.

Para não viver em vão é preciso acompanhar algum esporte, aplaudir trapezistas, sofrer com equilibristas, vibrar com contorcionistas, crer em mágicos e rir de palhaço; claro, gostar de circo.

Para não viver em vão é preciso ladear aquele que se desgasta pela justiça e reverenciar quem não se deixou entrevar pelo narcisismo; não confundir solidariedade com comiseração.

Para não viver em vão é preciso fazer da prece um compromisso, das convicções uma porta para o diálogo e da fé um convite para encarnar o divino.

Para não viver em vão é preciso fazer do instante fugidio um aceno de eternidade, da liberdade um compromisso com o próximo e da discordância uma oportunidade para crescer.

Para não viver em vão é preciso coragem para pedir perdão.

Soli Deo Gloria

domingo, 9 de dezembro de 2012

Como conhecer a vontade de Deus?



Como tomar as decisões corretas? O que Deus quer realmente de mim? Ele se importa com todas as escolhas que faço?

Por Liberty Lay (publicado em www.cristianismohoje.com.br) Postado em 30/07/2012

. Como tomar as decisões corretas? O que Deus quer realmente de mim? Ele se importa com todas as escolhas que faço?

. A grande pergunta por trás de todo esse questionamento é de fato esta: Qual é a vontade de Deus para minha vida?

. Decidimos explorar esse assunto delicado e muitas vezes confuso, com a ajuda de quatro líderes espirituais de universidades cristãs.
Deus realmente se importa com minhas decisões?

Deus se importa com tudo o que acontece em nosso coração. Em cada situação temos a oportunidade de escolher a quem iremos adorar. A Deus ou a nós mesmos. Deus deseja ser prioridade absoluta em nossas vidas.

Em determinadas áreas da vida, a diferença entre as decisões certas e as erradas é bastante clara – como escolher entre colar ou não em uma prova. Em outras áreas, no entanto, é preciso escolher entre duas coisas boas – como escolher entre duas conceituadas universidades para estudar. Nesse caso, é possível que Deus se sinta honrado com qualquer decisão tomada. Em outros casos a escolha pode não se tratar de certo e errado, o que é uma boa oportunidade para praticar a sabedoria. Passar muito tempo se divertindo com os amigos, por exemplo, pode ser algo bom, mas se isso atrapalha aqueles momentos de paz e silêncio, pode ser mais difícil percebermos a presença de Deus. Ser sábio pode significar se afastar um pouco, desligar o celular de vez em quando para aquietar o coração e estar mais atento à presença de Deus no dia a dia.

Às vezes, ao tomarmos decisões, pode parecer que estamos tentando encaixar Deus na história de nossas vidas. Mas na verdade, nós fazemos parte da história de Deus e Ele se alegra quando nos damos conta disso.

-- Jamie Noling, pastor associado na universidade Azusa Pacific, Califórnia.

Como descubro a vontade de Deus?

Em primeiro lugar, é preciso que nos certifiquemos de que estamos tentando obedecer ao que Deus já revelou através de Sua Palavra. Como obedecer aos pais, por exemplo. Essa é uma ordem clara de Deus. Não adianta ignorar a vontade revelada de Deus e esperar que Ele responda a perguntas sobre Sua vontade em áreas específicas de nossas vidas.

À medida que estudamos Sua Palavra e passamos tempo em oração, nosso relacionamento com Deus cresce e começamos a entender Seu caráter. Estaremos então prontos para ouvir Sua instrução sobre as outras áreas de nossas vidas. Além de estudar a Bíblia e orar, é bom que estejamos dispostos a buscar aconselhamento de pastores ou irmãos mais maduros na fé.

Se levarmos a sério a vontade de Deus, precisamos reconhecer que não se trata de conseguir o que queremos, mas sim de fazermos o que Deus nos manda. Devemos confiar e saber que Ele é bom, e que a Sua vontade é o melhor para nós.

-- Jeff Gangel, diretor de formação espiritual na Toccoa Falls, Geórgia.

Deus pode me pedir para fazer algo que eu não queira?


Deus pode pedir que façamos algo que não nos parece natural em um primeiro momento. Mas à medida que escutamos e respondemos a Seu chamado, nos conectamos a nossos mais profundos desejos. Afinal, o que Deus nos chama a fazer, é o que Ele nos criou para fazermos.

Muitos de nós temos hábitos que nos fazem sentir confortáveis e que apreciamos. Em longo prazo, no entanto, essas coisas podem não satisfazer nossas necessidades espirituais mais profundas. Podemos, por exemplo, ter o hábito de buscar aceitação das pessoas, seguindo os passos da maioria. Isso é fácil e pode fazer com que nos sintamos aceitos, mas na verdade, esse hábito pode impedir que nos tornemos quem fomos chamados para ser.

Esse processo pode ser comparado a um atleta que se prepara para uma corrida. Para chegar ao ponto em que ele sentirá prazer ao correr longas distâncias, é preciso trabalhar duro e fazer coisas que não são tão fáceis e agradáveis. Mas quando o atleta está em forma, correr se torna uma grande alegria. Da mesma forma, quando começamos a percorrer o caminho da vontade de Deus, sentimos uma enorme alegria em cumprir Seu chamado.

-- Greg Carmer, reitor da universidade Gordon, Massachusetts.

E se eu não perceber qual é a vontade de Deus?


Tomar uma decisão errada não significa que estaremos para sempre fora da vontade de Deus. Isso é parte da beleza das escrituras: possui inúmeras histórias de pessoas que tomaram decisões ruins, e que ainda assim foram usadas tremendamente por Deus. Veja Abraão e Davi. Ambos fizeram coisas claramente erradas, mas Deus trabalhou através deles para realizar grandes coisas. Ele pode usar todas as nossas decisões, as certas, as erradas ou as neutras.

Também precisamos lembrar que Deus é nosso Pai. Ele não está aqui para nos condenar, mas para nos tornar mais parecidos com Cristo. Se estivermos focados em Cristo, e em santidade, as outras coisas se encaixarão em seus devidos lugares. Deus não tem a intenção de nos oferecer apenas uma chance para fazer o que é certo.

-- Shawn Holtgren, reitor de Desenvolvimento Espiritual e de Liderança na universidade Bethel, Indiana.

Traduzido por Júlia Ramalho

domingo, 2 de dezembro de 2012

Preparas-me uma Mesa na Presença de Meus Inimigos


Por Carlos Moreira

A expressão que dá título a esta crônica não é minha, mas do Rei Davi, no extraordinário Salmo 23.

É difícil fazer uma interpretação precisa de um versículo num contexto como este. Já tentei discernir o texto por vários ângulos, utilizei traduções diferentes, visitei o original hebraico, analisei interpretações de especialistas...

Mas para ser honesto, o que aqui lhe trago é apenas a minha forma de percebê-lo. E não apenas isso, mas também o meu desejo de encarná-lo na vida, existencializar a poesia transformando letra em carne, mesmo sabendo que, muito provavelmente, não era isso que Davi tinha em mente quando o escreveu.

Minha escrita eu construí a partir de um sem número de observações... fui ouvindo as pessoas, anos seguidos, e de tanto ser exposto aos seus medos, dramas e dores, formatei esta imagem alegórica que hoje carrego em mim, não me sai da cabeça...

A sensação que tenho é de que há gente que mais se parece com postes por onde passam imagens, sons, palavras, ações e sentimentos. Elas possuem centenas de “fios emaranhados”, muitos dos quais desencapados, em flagrante perigo. Creia-me, há pessoas que se especializaram em construir “gambiarras” na alma; é tanto “liga” aqui, “desliga” ali, que, ao depois, não se sabe mais o que leva ao que...

Essas “interseções de fios” nada mais são do que os relacionamentos que travamos, sejam afetivos, familiares, profissionais ou de amizade, os quais, por vezes, entram em “curto circuito” por motivos dos mais diversos. É triste, mas me parece que à medida que o tempo avança e “devora” a vida, tanto mais as pessoas vão se tornando solitárias, muitas de suas relações, literalmente, acabam se “incendiando”, terminam em cinzas e silêncio.

Por isso, no meu “Salmo 23”, peço a Deus para por na minha presença uma mesa onde estejam todos os meus desafetos. Sim, digo isto porque você não senta com inimigos a mesa, você os enfrenta no campo de batalha. Pedir uma mesa na presença de adversários é algo, provavelmente, impensável, eu sei, mas é esse o meu desejo.

O motivo é bem simples: essa mesa pode ser a única possibilidade de reatar laços partidos, resgatar amigos perdidos, reaver momentos que seriam bons mas que foram desperdiçados para sempre... Nessa mesa eu poderia usufruir de gargalhadas que nunca serão dadas, e de alegrias não experimentadas, abraços que foram esquecidos, mãos que não mais se tocaram e até lágrimas de solidariedade que, com absoluta convicção, me teriam serventia como consolo e abrigo nos dias cinzentos, dias de sombras e solidão.

No meu “Salmo 23”, a mesa se põe na presença dos inimigos para que eles possam novamente se sentar ao meu lado, para que seja possível haver perdão, cura e libertação. Na minha mesa, o óleo que desce sobre a cabeça sara a consciência e produz saúde que pacifica a alma, e o cálice está sempre transbordando o vinho da alegria, deixando vazar o regozijo que há quando na vida torna-se possível o reencontro, a reconciliação.

Quão bom seria poder sentar nesta mesa, fosse eu convidado de outrem, fosse o anfitrião da festa do perdão. Pena que a realidade nos revele um cenário tão diferente, pois nele é a intolerância e o rancor que são servidos como prato principal, nunca a paz e o perdão.

Por isso, se te for possível, reconcilia-te ainda hoje com o teu semelhante, ponha perante ti e ele uma mesa, e conclame a Deus como tua testemunha deste ato de grandeza. Sim, amigo, faça isso enquanto ainda há tempo, pois talvez chegue o dia em que a tua mesa seja apenas feita de lonjuras e distâncias e nela tu estejas completamente só...

Carlos Moreira é editor assistente do Genizah e escreve também para a Nova Cristandade.



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