por Ed René Kivitz
Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem lhes faltar coisa alguma. (Tiago 1.24)
Tiago, irmão de Jesus, escreveu uma carta aos cristãos que estavam sofrendo perseguição. Eles haviam sido expulsos de Jerusalém e deixado para trás seus bens, familiares e amigos. Estavam começando vida nova em outro lugar, e precisavam construir novos relacionamentos, redefinir sua carreira profissional e ainda por cima se defender dos ataques daqueles que se opunham à sua fé em Jesus Cristo.
Um dos conselhos de Tiago para aqueles cristãos em situação tão adversa foi que deveriam receber com alegria as tribulações e provações que a vida colocava diante deles. Tiago justificou seu conselho apresentando três conseqüências das tribulações.
As tribulações provam a nossa fé, isto é, revelam a qualidade dos alicerces onde construímos nossas vidas. Outra maneira de dizer isso é que as tribulações nos mostram quem de fato somos. Muitas pessoas vivem iludidas em relação a si mesmas, e por esta razão constroem suas vidas em alicerces falsos - e vice-versa. Cedo ou tarde estes alicerces são desmascarados e tudo o que está sobre eles pode ruir, como por exemplo: auto-estima, esperança, prazer de viver, relacionamentos, sonhos de futuro, carreira profissional. As situações da vida que confrontam nossos alicerces existenciais são de fato oportunidades extraordinárias para nos reinventarmos, tanto substituindo o que identificamos como inadequado, quanto no desenvolvimento do que identificamos frágil.
As tribulações produzem perseverança, isto é, nos fortalecem para enfrentar a vida. O ditado popular diz que "Deus dá o frio conforme o cobertor". Acredito nisso. Acredito que o exercício de viver nos coloca diante de desafios proporcionais à maturidade. Uma é a dificuldade da criança, outra, do adolescente, e outra, dos adultos que já não acreditam em Papai Noel e já deixaram a prepotência juvenil de lado. As dificuldades que enfrentamos no caminho nos ajudam a encarar a vida e continuar andando rumo ao futuro desejado. À medida que vamos encarando e superando as tribulações, vamos perdendo o medo de cara feia, até que a vida mostra sua face mais terrível e se surpreende com nossa capacidade de superá-la.
Finalmente, as tribulações nos fazem pessoas maduras e íntegras, sem falta de nada. Atravessar tempos difíceis exige de nós a descoberta e o desenvolvimento de recursos interiores. As tribulações nos tiram todos os pontos externos de apoio: nos sentimos solitários, incompreendidos e injustiçados; perdemos posição, status e privilégios, além de dinheiro e conforto; e descobrimos que as bases onde escorávamos nossa identidade e as fontes de onde tirávamos forças para viver eram falsas ou insuficientes. Nesse momento, olhamos para dentro e para o alto. E descobrimos uma fé mais amadurecida, que nos aproxima mais de Deus, e recebemos a coragem de continuar vivendo. Estranhamente, vamos percebendo que precisávamos de bem menos do que imaginávamos para a nossa felicidade, até que surpresos, nos deparamos com a sensação de que muito embora o mundo lá fora esteja em convulsão, o mundo de dentro do coração, está em paz e serenidade. Quando chegamos nesse ponto de integridade (integralidade) é que passamos a desfrutar dos poucos recursos, dos amigos raros e das pequenas alegrias do dia-a-dia como suficientes para a felicidade. Aí sim, somos homens e mulheres de verdade. Construídos na forja das tribulações. Livres das ilusões. Prontos para viver, dar e construir.
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Fonte: Igreja Batista de Água Branca
Caros amigos e amigas, este blog é um meio que encontrei de compartilhar artigos, textos, reflexões bíblicas sobre a vida e os desafios de se por em prática aquilo que cremos. Boa leitura!
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
domingo, 11 de outubro de 2009
Hora de esperar
por Sherry Funk
Se eu for fazer uma lista das coisas que eu menos gosto de fazer, eu tenho certeza que esperar estaria entre cinco primeiras. Não há nada que eu goste menos do que permanecer naquele lugar agonizante onde eu olho para minhas esperanças e desejos de frente, perguntando como, quando e se Deus vai permitir que as coisas aconteçam.
“Por quê as coisas simplesmente não acontecem para mim?” Eu me vejo geralmente murmurando, cansada de esperar, de tentar me apegar à esperança pelos meses, anos afora, enquanto várias questões continuam sem resposta. Eu anseio por uma ruptura em minha tediosa profissão que faz pouco para acender uma centelha de vida em meu coração. Eu luto para encontrar um propósito significativo onde eu possa centrar minha vida. Eu questiono quando Deus vai finalmente trazer o homem certo na minha vida, para amar e ser amada. Eu olho interiormente para todas as curas, crescimentos e libertações que eu já experimentei e desejo que Deus opere ao meu tempo, em vez do dele.
Muitas vezes eu implorei que Deus finalmente descesse do céu e movesse, falasse, agisse, brilhasse uma luz no meu caminho. Mas na maior parte das vezes em que me achego a ele com minhas questões e inquietações, ele não revela nada instantaneamente. Sim, ele traz esperança, renova minha fé, e me dá força para prosseguir.
Mas naquela mansa e discreta voz, ele também me diz aquelas palavras que eu já ouvi repetidas vezes… minha filha, espere.
E então eu espero. E com o passar dos anos, eu finalmente compreendi que são nessas temporadas de espera e de estar diante dele, entregando meu coração a ele, é que ele realiza suas maiores obras. É no deserto, no ermo, na quietude que Deus pode restaurar a esperança e a visão e escavar meu caráter. É nessa espera que eu passo a conhecer
Deus mais intimamente e a finalmente percebê-lo em minha vida.
Aqui estão algumas coisas que eu estou aprendendo ao permanecer caminhando durante meu próprio tempo de espera.
Não tente viver sozinho
Houve um tempo em que eu me debatia pela vida por conta própria, assustada e decidida a não deixar ninguém entrar nela. Apesar de eu almejar ter relações significativas mais que qualquer outra coisa, eu estava com medo de ser rejeitada. Até que eu me tornei uma garota conhecida por nunca admitir uma necessidade, nunca compartilhava com ninguém meus problemas. Se eu tinha lágrimas a derramar, eu chorava atrás de uma porta fechada. Se haviam dores e medos para serem tratados, eu esperava até que ninguém mais estivesse a minha volta. Eu era a pessoa para quem todos chegavam com problemas, mas que raramente deixaria que elas vissem as feridas do meu coração.
Deus não me deixou permanecer ali, mas foi uma longa, vagarosa, e dolorosa jornada aprender que nós não fomos destinados a viver sozinhos, e que Deus de fato designou suas mais poderosas obras para serem realizadas dentro de um contexto social. Se for crescimento, liberdade, maturidade, integridade, e restauração, aquilo que nós estamos atrás – então as pessoas, as pessoas certas, serão uma dos maiores instrumentos que Deus usará.
Agora, semanalmente eu me encontro com um pequeno grupo de mulheres da minha igreja, e quase sempre eu saio maravilhada com o que Deus faz quando nos tornamos reais umas para as outras. Dúvida, confusão, solidão, questionamentos, vitórias, sofrimento, alegria, doença, decepção – toda semana nós tornamos essas coisas notórias, nós oramos juntas, reenfatizamos a verdade umas às outras, nós chamamos as pessoas para compartilhar dons, e nisso vemos Deus se revelando. E ao fazermos isso, nossa confiança de que Deus está trabalhando é restaurada.
Eu não sei como eu aguentei tanto tempo vivendo por mim mesma. Mas agora, eu vejo que o tempo gastado esperando que Deus mova as coisas, nunca é desperdício se nós ficarmos vitalmente conectados com pessoas que nos ajudam a não perder visão de quem Deus é e o que ele está fazendo.
Olhe para o que Deus já fez
Eu mantenho regularmente um diário desde que eu tinha 12 anos, e de tempos em tempos quando Deus parece silencioso e parece que nada está acontecendo, eu pego um ou dois volumes dos meus bagunçados rabiscos e permito-me ser transportada ao passado. Está tudo lá – minha adolescência desajeitada, colégio, escolha da carreira, alegrias e preocupações com alguns relacionamentos românticos, viagens pelo mundo, eu achando meu lugar no Corpo de Cristo, trabalhando em um orfanato na África, me mudando algumas vezes, comprando minha primeira casa, acelerando os passos da fé. Eu leio, rio, e sacudo minha cabeça, e algumas vezes ao fazer isso, a fé entra novamente em meu coração.
É tão fácil perder a perspectiva em um longo período de espera, mas olhar para trás e ver a fidelidade de Deus me dá a coragem que eu preciso para continuar persistindo. Se ele já me trouxe até aqui, por quê eu deveria duvidar de que ele continuará me guiando no futuro? Por quê eu deveria pensar que ele não terminará aquilo que ele começou? Eu sou como os israelitas que vagaram no deserto, que esqueceram tão depressa como Deus os conduziu para fora do Egito e pelo Mar Vermelho, lhes dando maná para comer e água para beber, salvando-os de seus inimigos. Mas eu não quero perder de vista tudo que ele já fez, embora a próxima coisa pareça tão longe.
Pense naquilo que te traz vida
Há alguns anos, eu fiz uma lista de tudo o que queria fazer antes de morrer – uma lista que vai desde pular de pára-quedas até escrever um romance, de adotar um bebê africano até aprender a pilotar uma moto, e até ir a um show da Broadway em Nova Iorque. Eu olhei para a lista outro dia, e fiquei agradavelmente surpresa com quantos artigos eu já havia marcado. Como a leitura de meus diários, minha lista me mantém em contato com quem eu sou no âmago, minha personalidade sem igual e interessante, as paixões que me fazem viver, os medos e desafios que eu amaria superar.
Eu descobri que mesmo em espera e ansiedade, nossos corações podem ser avivados e crescer. Todos os dias nós podemos buscar alegria, crescimento, e oportunidades de viver verdadeiramente. É por isso que hoje eu dou um intervalo no trabalho e vou jogar tênis com uma amiga, depois fazemos um piquenique no parque e escutamos os sons das fontes. É por isso que eu e meus sobrinhos tiramos uma soneca quando estamos assistindo desenhos, comemos uma porção de besteiras e rimos a noite toda. É por isso que eu escrevo e viajo, e tanto remodelar meus móveis – porque essas coisas, na sua pequenez, dão vida ao meu coração. E contanto que haja vida em meu coração, eu sei que eu posso me manter esperando e confiando, aguardando o dia em que Deus trará respostas às perguntas mais profundas contra as quais eu estou lutando.
Aprenda a descansar
“Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus” (Sl 46.10). Eu nem posso contar quantas vezes esse versículo me fez parar em meu trajeto, e descobrir que todos os meus esforços e todos os livros de auto-ajuda do mundo não poderiam falar sobre o tipo de mudança permanente que eu almejava ver em minha vida. E isso retoma Deus dizendo aquelas simples palavras para eu entender, de novo, que, em vez de dar dez passos para me tornar uma mulher de ouro, em vez de me cobrar mais sobre aquilo que eu devo fazer, Deus está me convidando a descansar. Ele está me chamando para um relacionamento com ele, me convidando a conhecer seu coração e seu caráter. Ele está falando comigo do seu amor, do seu prazer por mim, do desejo dele de sentar comigo para e conversar.
Eu sou tão boa em deixar a armadilha da ocupação me consumir, a trabalhar incansavelmente todas as áreas da minha vida com que eu não estou satisfeita. Mas é só quando eu volto atrás de todo meu esforço, e finalmente descanso, que minha alma sedenta fica realmente satisfeita, então são restabelecidas aquela paz e equilíbrio ao meu agitado espírito.
“Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus”. Tudo bem Jesus, eu vou descansar.
Sim, o tempo de espera é difícil. Mas nossas raízes vão fundo ao esperamos e confiarmos em Deus. Assim, se você está esperando por orientação em uma decisão séria, ou esperando que um coração quebrado seja curado, ou esperando por um amor, ou esperando que um caminho se abra na carreira, saiba que Jesus deseja caminhar com você, aqui e agora.
“A vida ressurreta que você recebeu de Deus não é uma vida medrosa, direcionada ao túmulo. É aventurosamente prometedora, cumprimentando Deus como um filho, ‘Qual a próxima, Papai?’” (Romans 8, The Message).
Prometedora. Esperançosa. Confiante. Agora, é por isso que eu quero ser conhecida em meu tempo de espera.
Se eu for fazer uma lista das coisas que eu menos gosto de fazer, eu tenho certeza que esperar estaria entre cinco primeiras. Não há nada que eu goste menos do que permanecer naquele lugar agonizante onde eu olho para minhas esperanças e desejos de frente, perguntando como, quando e se Deus vai permitir que as coisas aconteçam.
“Por quê as coisas simplesmente não acontecem para mim?” Eu me vejo geralmente murmurando, cansada de esperar, de tentar me apegar à esperança pelos meses, anos afora, enquanto várias questões continuam sem resposta. Eu anseio por uma ruptura em minha tediosa profissão que faz pouco para acender uma centelha de vida em meu coração. Eu luto para encontrar um propósito significativo onde eu possa centrar minha vida. Eu questiono quando Deus vai finalmente trazer o homem certo na minha vida, para amar e ser amada. Eu olho interiormente para todas as curas, crescimentos e libertações que eu já experimentei e desejo que Deus opere ao meu tempo, em vez do dele.
Muitas vezes eu implorei que Deus finalmente descesse do céu e movesse, falasse, agisse, brilhasse uma luz no meu caminho. Mas na maior parte das vezes em que me achego a ele com minhas questões e inquietações, ele não revela nada instantaneamente. Sim, ele traz esperança, renova minha fé, e me dá força para prosseguir.
Mas naquela mansa e discreta voz, ele também me diz aquelas palavras que eu já ouvi repetidas vezes… minha filha, espere.
E então eu espero. E com o passar dos anos, eu finalmente compreendi que são nessas temporadas de espera e de estar diante dele, entregando meu coração a ele, é que ele realiza suas maiores obras. É no deserto, no ermo, na quietude que Deus pode restaurar a esperança e a visão e escavar meu caráter. É nessa espera que eu passo a conhecer
Deus mais intimamente e a finalmente percebê-lo em minha vida.
Aqui estão algumas coisas que eu estou aprendendo ao permanecer caminhando durante meu próprio tempo de espera.
Não tente viver sozinho
Houve um tempo em que eu me debatia pela vida por conta própria, assustada e decidida a não deixar ninguém entrar nela. Apesar de eu almejar ter relações significativas mais que qualquer outra coisa, eu estava com medo de ser rejeitada. Até que eu me tornei uma garota conhecida por nunca admitir uma necessidade, nunca compartilhava com ninguém meus problemas. Se eu tinha lágrimas a derramar, eu chorava atrás de uma porta fechada. Se haviam dores e medos para serem tratados, eu esperava até que ninguém mais estivesse a minha volta. Eu era a pessoa para quem todos chegavam com problemas, mas que raramente deixaria que elas vissem as feridas do meu coração.
Deus não me deixou permanecer ali, mas foi uma longa, vagarosa, e dolorosa jornada aprender que nós não fomos destinados a viver sozinhos, e que Deus de fato designou suas mais poderosas obras para serem realizadas dentro de um contexto social. Se for crescimento, liberdade, maturidade, integridade, e restauração, aquilo que nós estamos atrás – então as pessoas, as pessoas certas, serão uma dos maiores instrumentos que Deus usará.
Agora, semanalmente eu me encontro com um pequeno grupo de mulheres da minha igreja, e quase sempre eu saio maravilhada com o que Deus faz quando nos tornamos reais umas para as outras. Dúvida, confusão, solidão, questionamentos, vitórias, sofrimento, alegria, doença, decepção – toda semana nós tornamos essas coisas notórias, nós oramos juntas, reenfatizamos a verdade umas às outras, nós chamamos as pessoas para compartilhar dons, e nisso vemos Deus se revelando. E ao fazermos isso, nossa confiança de que Deus está trabalhando é restaurada.
Eu não sei como eu aguentei tanto tempo vivendo por mim mesma. Mas agora, eu vejo que o tempo gastado esperando que Deus mova as coisas, nunca é desperdício se nós ficarmos vitalmente conectados com pessoas que nos ajudam a não perder visão de quem Deus é e o que ele está fazendo.
Olhe para o que Deus já fez
Eu mantenho regularmente um diário desde que eu tinha 12 anos, e de tempos em tempos quando Deus parece silencioso e parece que nada está acontecendo, eu pego um ou dois volumes dos meus bagunçados rabiscos e permito-me ser transportada ao passado. Está tudo lá – minha adolescência desajeitada, colégio, escolha da carreira, alegrias e preocupações com alguns relacionamentos românticos, viagens pelo mundo, eu achando meu lugar no Corpo de Cristo, trabalhando em um orfanato na África, me mudando algumas vezes, comprando minha primeira casa, acelerando os passos da fé. Eu leio, rio, e sacudo minha cabeça, e algumas vezes ao fazer isso, a fé entra novamente em meu coração.
É tão fácil perder a perspectiva em um longo período de espera, mas olhar para trás e ver a fidelidade de Deus me dá a coragem que eu preciso para continuar persistindo. Se ele já me trouxe até aqui, por quê eu deveria duvidar de que ele continuará me guiando no futuro? Por quê eu deveria pensar que ele não terminará aquilo que ele começou? Eu sou como os israelitas que vagaram no deserto, que esqueceram tão depressa como Deus os conduziu para fora do Egito e pelo Mar Vermelho, lhes dando maná para comer e água para beber, salvando-os de seus inimigos. Mas eu não quero perder de vista tudo que ele já fez, embora a próxima coisa pareça tão longe.
Pense naquilo que te traz vida
Há alguns anos, eu fiz uma lista de tudo o que queria fazer antes de morrer – uma lista que vai desde pular de pára-quedas até escrever um romance, de adotar um bebê africano até aprender a pilotar uma moto, e até ir a um show da Broadway em Nova Iorque. Eu olhei para a lista outro dia, e fiquei agradavelmente surpresa com quantos artigos eu já havia marcado. Como a leitura de meus diários, minha lista me mantém em contato com quem eu sou no âmago, minha personalidade sem igual e interessante, as paixões que me fazem viver, os medos e desafios que eu amaria superar.
Eu descobri que mesmo em espera e ansiedade, nossos corações podem ser avivados e crescer. Todos os dias nós podemos buscar alegria, crescimento, e oportunidades de viver verdadeiramente. É por isso que hoje eu dou um intervalo no trabalho e vou jogar tênis com uma amiga, depois fazemos um piquenique no parque e escutamos os sons das fontes. É por isso que eu e meus sobrinhos tiramos uma soneca quando estamos assistindo desenhos, comemos uma porção de besteiras e rimos a noite toda. É por isso que eu escrevo e viajo, e tanto remodelar meus móveis – porque essas coisas, na sua pequenez, dão vida ao meu coração. E contanto que haja vida em meu coração, eu sei que eu posso me manter esperando e confiando, aguardando o dia em que Deus trará respostas às perguntas mais profundas contra as quais eu estou lutando.
Aprenda a descansar
“Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus” (Sl 46.10). Eu nem posso contar quantas vezes esse versículo me fez parar em meu trajeto, e descobrir que todos os meus esforços e todos os livros de auto-ajuda do mundo não poderiam falar sobre o tipo de mudança permanente que eu almejava ver em minha vida. E isso retoma Deus dizendo aquelas simples palavras para eu entender, de novo, que, em vez de dar dez passos para me tornar uma mulher de ouro, em vez de me cobrar mais sobre aquilo que eu devo fazer, Deus está me convidando a descansar. Ele está me chamando para um relacionamento com ele, me convidando a conhecer seu coração e seu caráter. Ele está falando comigo do seu amor, do seu prazer por mim, do desejo dele de sentar comigo para e conversar.
Eu sou tão boa em deixar a armadilha da ocupação me consumir, a trabalhar incansavelmente todas as áreas da minha vida com que eu não estou satisfeita. Mas é só quando eu volto atrás de todo meu esforço, e finalmente descanso, que minha alma sedenta fica realmente satisfeita, então são restabelecidas aquela paz e equilíbrio ao meu agitado espírito.
“Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus”. Tudo bem Jesus, eu vou descansar.
Sim, o tempo de espera é difícil. Mas nossas raízes vão fundo ao esperamos e confiarmos em Deus. Assim, se você está esperando por orientação em uma decisão séria, ou esperando que um coração quebrado seja curado, ou esperando por um amor, ou esperando que um caminho se abra na carreira, saiba que Jesus deseja caminhar com você, aqui e agora.
“A vida ressurreta que você recebeu de Deus não é uma vida medrosa, direcionada ao túmulo. É aventurosamente prometedora, cumprimentando Deus como um filho, ‘Qual a próxima, Papai?’” (Romans 8, The Message).
Prometedora. Esperançosa. Confiante. Agora, é por isso que eu quero ser conhecida em meu tempo de espera.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
A Cura da Doença
por Gordon Dalbey e Mike Genung
Que esperança podemos ter para alguma mudança no quadro dramático da situação da família e do homem hoje (descrita no artigo A Doença dos Homens)? Existe “bálsamo em Gileade? ou não há lá médico?” (Jr 8.22).
Temos, sim, uma grande promessa na Palavra de Deus. De fato, exatamente no ponto em que as Escrituras mudaram o foco dos mandamentos e da lei de Moisés para a obra de Jesus, Deus mostrou que pretende curar a grande enfermidade da humanidade:
“...ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para que eu não venha e fira a terra com maldição” (Ml 4.5, 6).
A desintegração de relacionamentos entre pais e filhos neste mundo reflete a quebra de contato entre a humanidade e Deus. É por isso que a restauração do relacionamento com o Pai constitui, na realidade, o foco principal do poder redentor de Deus neste mundo. Jesus veio para revelar o Pai e para reconciliar com ele a humanidade (Jo 14.8-13). E em nenhum lugar a necessidade por essa reconciliação é mais profundamente sentida do que na falta que o homem sente de um pai.
Nenhuma dor fere o coração do homem mais profundamente do que o abandono emocional e/ou físico do pai. Para os homens, a ferida do pai é uma maldição mortal.
O Primeiro Passo
A palavra “integridade” vem de uma raiz que significa inteiro, como em números inteiros. O homem que se esconde e tenta encobrir sua ferida interior não é um homem de integridade. É apenas metade de um homem. Ele pode conhecer a verdade da Palavra de Deus, mas não a graça do coração do Pai.
O primeiro passo, então, para a cura é reconhecer sua verdadeira condição e a causa correspondente. De nada adiantará fazer parte de movimentos ou cursos para homens se esses tão-somente estabelecerem novas regras ou padrões mais elevados de comportamento. Essa geralmente é só mais uma maneira de esconder nossas feridas por trás de uma fachada religiosa que valoriza desempenho.
Infelizmente, a maior parte do ensinamento cristão para os homens hoje simplesmente nos mostra o que devemos fazer, as terríveis conseqüências se não o fizermos e, talvez, os maravilhosos benefícios se conseguirmos atingir o padrão. São exortações do tipo “dez princípios de hombridade santa” ou os “cinco padrões de masculinidade bíblica”. É mais fácil enfocar a prática do bem do que ser autêntico.
O homem que foge de sua ferida mortal e da necessidade do Salvador sempre acabará se tornando escravo da vergonha de não ter alcançado o padrão desejado. Sentindo abandono e frustração, procurará sua identidade no trabalho e, muitas vezes, nas mulheres, seja na mãe, na esposa ou em algum relacionamento superficial. Ficará vulnerável a uma porção de falsificações mundanas e até religiosas, que prometem calar a voz da vergonha e torná-lo, afinal, um “verdadeiro homem”.
Já a hombridade da Nova Aliança requer que enfrentemos os duros fatos de que não somos capazes de fazer o que Deus ordena e exige que clamemos a ele por livramento. Precisamos aprender a levar a nossa vergonha à cruz e não a encobri-la com tentativas de bom desempenho.
O caminho para a recuperação da hombridade perdida, então, é por meio da autenticidade, que tem uma grande relação com arrependimento. O que nos salvará não é a nova determinação de fazer “o que é certo”, mas o anseio de conhecer o verdadeiro Pai (Gl 5.1-6; Rm 7.18). Só autenticidade pode nos levar a ser homens da Nova Aliança – com a coragem de enfrentar a vergonha de nossa própria impotência e de entregá-la a Jesus para que ele a assuma totalmente.
Se nenhum pai humano é perfeito e todos nós carregamos as feridas que resultam dessa imperfeição, teremos de buscar a verdadeira filiação em Cristo para conhecermos o único Pai perfeito. Isso não é apenas uma questão de palavras ou de teoria. Precisamos aprender a nos relacionar de fato com o Pai, sentir sua aceitação, sua perseverança, sua disciplina e seus tratamentos até encontrarmos seu reconhecimento de que, de fato, algo novo está sendo gerado no nosso interior.
Aprendendo a Perdoar
Enfrentar a ferida inclui dois aspectos: o primeiro, já descrito acima, é reconhecer nossa doença, nossa incapacidade, nossa falta de hombridade. Isso nos leva à cruz, à obra consumada de Cristo, à filiação.
O segundo é entender que, embora a causa tenha sido a humanidade caída de nosso pai natural, ele, por sua vez, também sofreu as conseqüências de ter sido criado por um pai imperfeito, e precisa ser amado e perdoado. É diferente de defender o pai, que, muitas vezes, é uma reação natural do filho, mas pode significar um encobrimento da ferida. Se não enfrentarmos o fato de que realmente houve falhas, não abriremos o caminho para a cura, nem para mudanças em nossas próprias vidas. E o ciclo continuará para a próxima geração.
A promessa de Malaquias é que antes da consumação do dia do Senhor, haverá um ministério que tornará os corações dos pais aos filhos e dos filhos aos pais. Essa restauração pode acontecer em qualquer fase da nossa vida. Nunca é tarde demais para um pai voltar-se para seus filhos, ainda que sejam adultos. Nunca é tarde demais para um filho voltar-se para seu pai, ainda que este seja idoso. E jamais poderemos calcular os efeitos que tal restauração trará – não só para os membros imediatos da família envolvida.
Se virmos, de fato, a causa da doença, conseguiremos enxergar nosso pai ou nossos filhos não como inimigos, mas como vítimas, e Deus poderá encher nossos corações de verdadeira compaixão e perdão.
Outro aspecto que é importante ressaltar é que, ao enfrentarmos a ferida infligida pelo pai, jamais devemos culpá-lo pelo pecado em que porventura tenhamos caído na tentativa de compensar ou aliviar a dor. Não importa o que nos aconteceu no passado, precisamos assumir 100% da responsabilidade se recorremos à lascívia, se fomos omissos, ou se usamos qualquer outra forma errada de lidar com nossa ferida.
Encontrando Relacionamentos Saudáveis
Fomos feridos no nosso relacionamento com um homem, nosso pai; por isso, será em relacionamentos autênticos com ele ou com outros homens que o processo de cura começará a se processar.
Alguns não têm mais um pai vivo; outros precisarão esperar com fé e perseverança para que o relacionamento com o pai seja curado. Porém, amor masculino puro, não sexual, não é encontrado exclusivamente com o pai. Quando nossos irmãos nos aceitam e nos amam, apesar de nossas falhas, inconscientemente estão respondendo à nossa pergunta (a grande pergunta): “Sim, você tem o que é necessário para ser um homem... você é importante, você tem valor, tem dons que me abençoam, sua amizade é prazerosa para mim”. Através do seu apoio e encorajamento, nossos irmãos transmitem-nos a bênção do amor e da força masculinos.
Davi, que já conhecia o amor e o carinho do relacionamento conjugal, expressou assim a importância de sua amizade com Jônatas: “Excepcional era o teu amor, ultrapassando o amor de mulheres” (2 Sm 1.27).
Amor puro de homem para homem não tem as complicações sexuais ou o atrito emocional que surgem das diferenças entre homens e mulheres. Quando um outro irmão me desafia sobre um determinado assunto na minha vida, desde que não o faça com insultos ou intenções cruéis, eu posso recebê-lo sem dificuldades. Os homens compreendem os temores e inseguranças de outros homens, o que permite que abençoem uns aos outros de formas que seriam impossíveis para as mulheres.
Relacionamentos de homem para homem dentro da grande família de Deus podem ser de irmãos (de igual para igual), ou de pai para filho. Além do nosso novo relacionamento com Deus Pai, podemos experimentar relacionamentos saudáveis dentro da igreja e sermos curados na nossa hombridade doentia. Acima de tudo, podemos ainda ser pais verdadeiros para nossos filhos naturais e ver o ciclo satânico quebrado nas nossas famílias, e a promessa de Deus a Malaquias começar a ser cumprida antes do grande dia do Senhor.
Extraído e adaptado de:
“The Real Men’s Movement” e “Healing the Father-Wound”, por Gordon Dalbey, que podem ser encontrados no site: www.abbafather.com. Gordon Dalbey é pastor, conferencista e autor de vários livros em inglês sobre o assunto de Hombridade, como “Healing the Masculine Soul” (“Curando a Alma Masculina”) e “Fight Like a Man” (“Lute Como um Homem”). Foi um dos preletores no primeiro evento dos “Promise Keepers” que foi realizado em um estádio do Colorado, EUA, em 1992.
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Caros(as) amigos(as).
Aqui termino as reflexões sobre a identidade do homem e suas implicações para as relações consigo mesmo, com sua familia, esposa, filhos, e também com amigos. Espero que tenha sido útil à sua vida.
Que esperança podemos ter para alguma mudança no quadro dramático da situação da família e do homem hoje (descrita no artigo A Doença dos Homens)? Existe “bálsamo em Gileade? ou não há lá médico?” (Jr 8.22).
Temos, sim, uma grande promessa na Palavra de Deus. De fato, exatamente no ponto em que as Escrituras mudaram o foco dos mandamentos e da lei de Moisés para a obra de Jesus, Deus mostrou que pretende curar a grande enfermidade da humanidade:
“...ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para que eu não venha e fira a terra com maldição” (Ml 4.5, 6).
A desintegração de relacionamentos entre pais e filhos neste mundo reflete a quebra de contato entre a humanidade e Deus. É por isso que a restauração do relacionamento com o Pai constitui, na realidade, o foco principal do poder redentor de Deus neste mundo. Jesus veio para revelar o Pai e para reconciliar com ele a humanidade (Jo 14.8-13). E em nenhum lugar a necessidade por essa reconciliação é mais profundamente sentida do que na falta que o homem sente de um pai.
Nenhuma dor fere o coração do homem mais profundamente do que o abandono emocional e/ou físico do pai. Para os homens, a ferida do pai é uma maldição mortal.
O Primeiro Passo
A palavra “integridade” vem de uma raiz que significa inteiro, como em números inteiros. O homem que se esconde e tenta encobrir sua ferida interior não é um homem de integridade. É apenas metade de um homem. Ele pode conhecer a verdade da Palavra de Deus, mas não a graça do coração do Pai.
O primeiro passo, então, para a cura é reconhecer sua verdadeira condição e a causa correspondente. De nada adiantará fazer parte de movimentos ou cursos para homens se esses tão-somente estabelecerem novas regras ou padrões mais elevados de comportamento. Essa geralmente é só mais uma maneira de esconder nossas feridas por trás de uma fachada religiosa que valoriza desempenho.
Infelizmente, a maior parte do ensinamento cristão para os homens hoje simplesmente nos mostra o que devemos fazer, as terríveis conseqüências se não o fizermos e, talvez, os maravilhosos benefícios se conseguirmos atingir o padrão. São exortações do tipo “dez princípios de hombridade santa” ou os “cinco padrões de masculinidade bíblica”. É mais fácil enfocar a prática do bem do que ser autêntico.
O homem que foge de sua ferida mortal e da necessidade do Salvador sempre acabará se tornando escravo da vergonha de não ter alcançado o padrão desejado. Sentindo abandono e frustração, procurará sua identidade no trabalho e, muitas vezes, nas mulheres, seja na mãe, na esposa ou em algum relacionamento superficial. Ficará vulnerável a uma porção de falsificações mundanas e até religiosas, que prometem calar a voz da vergonha e torná-lo, afinal, um “verdadeiro homem”.
Já a hombridade da Nova Aliança requer que enfrentemos os duros fatos de que não somos capazes de fazer o que Deus ordena e exige que clamemos a ele por livramento. Precisamos aprender a levar a nossa vergonha à cruz e não a encobri-la com tentativas de bom desempenho.
O caminho para a recuperação da hombridade perdida, então, é por meio da autenticidade, que tem uma grande relação com arrependimento. O que nos salvará não é a nova determinação de fazer “o que é certo”, mas o anseio de conhecer o verdadeiro Pai (Gl 5.1-6; Rm 7.18). Só autenticidade pode nos levar a ser homens da Nova Aliança – com a coragem de enfrentar a vergonha de nossa própria impotência e de entregá-la a Jesus para que ele a assuma totalmente.
Se nenhum pai humano é perfeito e todos nós carregamos as feridas que resultam dessa imperfeição, teremos de buscar a verdadeira filiação em Cristo para conhecermos o único Pai perfeito. Isso não é apenas uma questão de palavras ou de teoria. Precisamos aprender a nos relacionar de fato com o Pai, sentir sua aceitação, sua perseverança, sua disciplina e seus tratamentos até encontrarmos seu reconhecimento de que, de fato, algo novo está sendo gerado no nosso interior.
Aprendendo a Perdoar
Enfrentar a ferida inclui dois aspectos: o primeiro, já descrito acima, é reconhecer nossa doença, nossa incapacidade, nossa falta de hombridade. Isso nos leva à cruz, à obra consumada de Cristo, à filiação.
O segundo é entender que, embora a causa tenha sido a humanidade caída de nosso pai natural, ele, por sua vez, também sofreu as conseqüências de ter sido criado por um pai imperfeito, e precisa ser amado e perdoado. É diferente de defender o pai, que, muitas vezes, é uma reação natural do filho, mas pode significar um encobrimento da ferida. Se não enfrentarmos o fato de que realmente houve falhas, não abriremos o caminho para a cura, nem para mudanças em nossas próprias vidas. E o ciclo continuará para a próxima geração.
A promessa de Malaquias é que antes da consumação do dia do Senhor, haverá um ministério que tornará os corações dos pais aos filhos e dos filhos aos pais. Essa restauração pode acontecer em qualquer fase da nossa vida. Nunca é tarde demais para um pai voltar-se para seus filhos, ainda que sejam adultos. Nunca é tarde demais para um filho voltar-se para seu pai, ainda que este seja idoso. E jamais poderemos calcular os efeitos que tal restauração trará – não só para os membros imediatos da família envolvida.
Se virmos, de fato, a causa da doença, conseguiremos enxergar nosso pai ou nossos filhos não como inimigos, mas como vítimas, e Deus poderá encher nossos corações de verdadeira compaixão e perdão.
Outro aspecto que é importante ressaltar é que, ao enfrentarmos a ferida infligida pelo pai, jamais devemos culpá-lo pelo pecado em que porventura tenhamos caído na tentativa de compensar ou aliviar a dor. Não importa o que nos aconteceu no passado, precisamos assumir 100% da responsabilidade se recorremos à lascívia, se fomos omissos, ou se usamos qualquer outra forma errada de lidar com nossa ferida.
Encontrando Relacionamentos Saudáveis
Fomos feridos no nosso relacionamento com um homem, nosso pai; por isso, será em relacionamentos autênticos com ele ou com outros homens que o processo de cura começará a se processar.
Alguns não têm mais um pai vivo; outros precisarão esperar com fé e perseverança para que o relacionamento com o pai seja curado. Porém, amor masculino puro, não sexual, não é encontrado exclusivamente com o pai. Quando nossos irmãos nos aceitam e nos amam, apesar de nossas falhas, inconscientemente estão respondendo à nossa pergunta (a grande pergunta): “Sim, você tem o que é necessário para ser um homem... você é importante, você tem valor, tem dons que me abençoam, sua amizade é prazerosa para mim”. Através do seu apoio e encorajamento, nossos irmãos transmitem-nos a bênção do amor e da força masculinos.
Davi, que já conhecia o amor e o carinho do relacionamento conjugal, expressou assim a importância de sua amizade com Jônatas: “Excepcional era o teu amor, ultrapassando o amor de mulheres” (2 Sm 1.27).
Amor puro de homem para homem não tem as complicações sexuais ou o atrito emocional que surgem das diferenças entre homens e mulheres. Quando um outro irmão me desafia sobre um determinado assunto na minha vida, desde que não o faça com insultos ou intenções cruéis, eu posso recebê-lo sem dificuldades. Os homens compreendem os temores e inseguranças de outros homens, o que permite que abençoem uns aos outros de formas que seriam impossíveis para as mulheres.
Relacionamentos de homem para homem dentro da grande família de Deus podem ser de irmãos (de igual para igual), ou de pai para filho. Além do nosso novo relacionamento com Deus Pai, podemos experimentar relacionamentos saudáveis dentro da igreja e sermos curados na nossa hombridade doentia. Acima de tudo, podemos ainda ser pais verdadeiros para nossos filhos naturais e ver o ciclo satânico quebrado nas nossas famílias, e a promessa de Deus a Malaquias começar a ser cumprida antes do grande dia do Senhor.
Extraído e adaptado de:
“The Real Men’s Movement” e “Healing the Father-Wound”, por Gordon Dalbey, que podem ser encontrados no site: www.abbafather.com. Gordon Dalbey é pastor, conferencista e autor de vários livros em inglês sobre o assunto de Hombridade, como “Healing the Masculine Soul” (“Curando a Alma Masculina”) e “Fight Like a Man” (“Lute Como um Homem”). Foi um dos preletores no primeiro evento dos “Promise Keepers” que foi realizado em um estádio do Colorado, EUA, em 1992.
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Caros(as) amigos(as).
Aqui termino as reflexões sobre a identidade do homem e suas implicações para as relações consigo mesmo, com sua familia, esposa, filhos, e também com amigos. Espero que tenha sido útil à sua vida.
domingo, 27 de setembro de 2009
Pais Ausentes, filhos Infelizes

por Sérgio Andrade
As constantes demandas da agitada vida pos-moderna parecem colaborar para a fragilização das relações entre pais e filhos. Os afazeres e as exigências da sustentabilidade, das aquisições e da melhoria da condição de vida podem se revelar, ao longo do tempo, uma tremenda armadilha que corrói os laços familiares.
É também por estas razões que não se torna tarefa dificil encontrar adolescentes e jovens bastante desorientados, desanimados e, muitas vezes, profundamente inconformados com as relações estabelecidas com seus pais. O silêncio, a sonolência e a aparente quietude podem revelar outras condições d’alma. Quem sabe é saudade dos braços, da companhia e da segurança que se foram.
A falta de disponibilidade de tempo exige dos pais e algum tipo de atitude compensadora. É mais comum do que se imagina encontrar pais que trocam a impossibilidade da presença pelo direito à posse e à liberdade. Afinal, dizem eles: “se não podemos permanecer e dar atenção aos nossos filhos, que pelo menos comprem o que desejam, vivam livres e façam suas escolhas”.
Não basta dar dinheiro e dizer: “Vá!”. Outras perguntas se apresentam: “vai para onde? Vai com quem? Vai para que? Vai e volta?”. Dinheiro e liberdade solicitam a presença de diretrizes, diálogos e orientações. Sem estes, tais ingredientes tornam-se geradores de tragédias, dores e perdas irreparáveis, muitas das quais envolvendo outras famílias, pais e filhos.
Sem moralismos, é urgente franquear os ouvidos. Destituídos de qualquer iniciativa castradora, é necessário conhecer amigos, companheiros e namoradas.
Despojados de uma pretensa sabedoria, é preciso conversar abertamente sobre tudo: causas e consequências; ganhos e perdas; oportunidades e desastres; prazeres e responsabilidades.
Com tais palavras não pretendemos reinaugurar o controle dos pais sobre os filhos. É evidente que adolescentes e jovens devem crescer em busca da autonomia futura e, para tal, devem ser instados a construir seus caminhos.
É a volta que nos interessa. Só retornará aquele que partiu sabendo que o amor, o cuidado, o ensinamento e a presença dos pais estiveram com ele sem trocas, barganhas, compensações e ausências.
Pai, fica ao meu Lado!
Estamos inseridos numa sociedade marcada pela dinâmica cotidiana e pelos diversos atrativos que sacodem nossos corações. Atividades diferentes, oportunidades de ganho, esportes, amigos, relatórios, vendas e notícias são algumas palavras que preenchem os espaços de tempo que nos envolvem. E neste contexto, o tempo disponível parece tão pouco.
O que fazer quando nosso dia parece tão pequeno? Como encontrar um brecha nos meus horários para estar com meus filhos? Como eles e elas se sentem quando podem usufruir da presença do pai? Quais são as consequências de um pai presente?
Quando Deus convida os pais para estarem ao lado de seus filhos, Ele abre nossa mente e nosso coração para que possamos perceber os inúmeros benefícios que tal disposição poderá gerar naqueles que são bênçãos do Senhor às nossas vidas. Listo alguns ganhos para nossos filhos quando estamos por perto:
1. Meninos e meninas que contam com várias horas da presença do pai durante a semana desenvolvem melhor auto-estima, se sentem mais seguros e buscam cultivar novos relacionamentos. Com gestos e palavras, os pais, são exemplos para seus filhos.
2. Filhos que realizam atividades conjuntas com seus pais se saem melhor nos estudos e têm mais anos de escolaridade. É evidente que a educação formal tem maior alcançe quando impulsionamos nossos filhos nesta direção.
3. Meninos que convivem com o pai possuem menor tendência à violência, a se meterem em confusões e paticiparem de grupos de rua. O entrosamento na família e um bom ambiente em casa, ajudam os filhos a ouvirem os ensinamentos de seus pais.
4. Pais presentes que dialogam com seus filhos, cultivam neles o hábito de conversarem mais com outras pessoas e favorecem a abertura para o entendimento.
5. Filhos que oram e lêem a Bíblia com seus pais tendem a desenvolver uma relação saudável com Deus. Ensinar o bom caminho do Evangelho aos filhos deve ser com compromisso de todo pai que tem o Senhor como PAI!
http://www.catedraltrindade.org.br/
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Onde Estava Adão Quando Tudo Começou?
por Larry Crabb
Onde estava Adão quando a serpente tentou Eva? A Bíblia diz que após Eva ter sido enganada por Satanás, tomou do fruto proibido “... e comeu, e deu também ao marido, e ele comeu" (Gn 3.6).
Será que Adão estava ali o tempo todo? Em pé, bem ao lado da esposa, enquanto a serpente a enganava com sua astúcia? Estava ali, ouvindo cada palavra?
Se estava – e há boa razão para pensar assim – então uma importante pergunta precisa ser feita: POR QUE ELE NÃO DISSE NADA?
Antes de Deus criar Eva, ele já ordenara a Adão que nunca comesse de certa árvore.
Era esperado que Adão transmitisse a proibição à esposa quando esta apareceu em cena. Presumimos que ele o fez. Mas quando a serpente encetou uma conversa com Eva com o intuito de confundir suas idéias a respeito da bondade de Deus, Adão não disse nada. Contudo, estava ouvindo cada palavra! Ele ouviu Eva citar incorretamente a ordem de Deus que ele, Adão, lhe transmitira cuidadosamente. Estava observando quando ela começou a olhar a árvore proibida. Viu quando ela deu um passo na direção da árvore e estendeu a mão para apanhar seu fruto. E não fez coisa alguma nem falou palavra alguma para detê-la. Adão permaneceu em silêncio! Por quê?
Lembre-se de que Eva foi enganada pela serpente, mas Adão não (1 Tm 2.14). Ele sabia o que estava acontecendo. Talvez devesse ter dito: "Ora, espere aqui um minuto só! Querida, essa serpente está aprontando encrenca. Estou vendo certinho sua lábia diabólica. Ela está enganando você para fazê-la pensar que tem mais a ganhar se desobedecer a Deus do que se permanecer fiel a ele. É uma mentira! Deixe-me contar-lhe exatamente o que Deus me disse antes de ter feito você. E olhe à nossa volta. Isto é o Paraíso. Deus o fez e deu todinho para nós. Não temos nenhuma razão para duvidar da sua bondade.” E depois, afastando-se de Eva: “Serpente, esta conversa acabou. SUMA!”
Mas Adão não disse nada. Ele ficou ali, ouviu e viu tudo e não disse uma palavra sequer. Ele falhou para com sua mulher. Falhou, em sua primeira luta espiritual, em representar Deus. Falhou como homem!
O silêncio de Adão é o começo da falha de cada homem, da rebeldia de Caim à impaciência de Moisés, da fraqueza de Pedro até a minha falha ontem em amar bem a minha esposa. E é um retrato – um retrato inquietante mas revelador – da natureza de nosso fracasso.
Desde Adão, todo homem tem tido uma inclinação natural para permanecer em silêncio quando deveria falar. O homem sente-se mais confortável em situações nas quais sabe exatamente o que fazer. Quando as coisas ficam confusas ou apavorantes, suas entranhas se contraem e ele se afasta. Quando a vida o frustra com sua enlouquecedora imprevisibilidade, ele sente a raiva crescer ¬dentro de si. E então, cheio de terror e fúria, ele se esquece da verdade de Deus e trata de defender-se.
Desse ponto em diante, tudo dá errado. Voltado apenas para si mesmo, ele se vira para fazer sua vida funcionar. O resultado é o que vemos todos os dias: paixões sexuais descontroladas, maridos e pais sem envolvimento, homens zangados que amam estar no controle de tudo. E tudo isso começou quando Adão se recusou a falar.
Os homens têm um chamado singular para se lembrarem do que Deus disse e falarem de acordo, a adentrarem a perigosa incerteza com confiança e sabedoria que vem de ouvir a Deus. Em vez disso, como Adão, esquecemo-nos de Deus e permanecemos em silêncio. E Satanás continua obtendo um número excessivo de vitórias: em nossa sociedade, em nossas igrejas e nas vidas de nossas esposas, filhos e amigos. Está na hora de os homens recobrarem a voz, de ouvirem a Deus – e de falarem. ¬
Nota da Redação: É importante observar que não há nenhuma base sólida para se afirmar que Adão ouviu a conversa entre a serpente e Eva. No entanto, as considerações do autor a respeito da omissão de Adão, mesmo quando Eva lhe deu o fruto proibido, continuam muito válidas.
Extraído de: “O Silêncio de Adão”, de Larry Crabb com Don Hudson e Al Andrews, Editora Sepal.
domingo, 13 de setembro de 2009
A Grande Pergunta
por John Eldredge e Gordon Dalbey
Existe uma pergunta que nasce no coração de todos os meninos, bem no início de sua vida. Não é uma pergunta simples, nem tampouco se expressa, já no princípio, de uma forma claramente enunciada. Antes, representa um anseio, um desejo profundo, e exige uma resposta. Se pudéssemos colocá-la em palavras, seria mais ou menos assim: “Tenho o que é necessário para ser homem? Sou capaz?”
Até que um homem tenha plena consciência de que é um homem, tentará provar isso constantemente, enquanto, ao mesmo tempo, fugirá de qualquer coisa que possa revelar que ele não o é. A maioria dos homens passa a vida inteira sentindo-se perseguida pela pergunta, ou deformada pela resposta que recebeu nos seus anos de formação.
No caso de pais violentos, a pergunta é respondida de modo devastador. “Eu tenho o que é necessário? Eu sou um homem, papai?” “Não, você é um filhinho da mamãe, um tolo, um efeminado, uma gaivota.” Essas são sentenças definidas que moldam a vida de um homem. São feridas de um ataque que entram fundo como um tiro no peito. Podem causar um mal indescritível, especialmente quando envolvem anos de abuso físico, sexual ou verbal.
Porém, há um outro tipo de resposta. É a resposta do silêncio, da falta de bênção. Os pais podem estar presentes fisicamente, contudo comportam-se como ausentes em relação a seus filhos. O silêncio é ensurdecedor e esmagador. Na verdade, é pior do que ter um pai que foi embora ou do que não ter um pai, pois deixa uma mensagem subliminar para o filho. “Eu tenho o que é necessário? Eu sou um homem, papai?” Como resposta, vem o silêncio. “Não sei... duvido... você terá que descobrir por si mesmo... provavelmente não.”
Essas feridas, recebidas de forma passiva, podem não ser percebidas de imediato, mas são perniciosas como um câncer. Por serem sutis, freqüentemente nem são reconhecidas como feridas e, por isso, tornam-se muito mais difíceis de serem curadas.
Você pode matar um organismo vivo, como uma planta, de duas maneiras. Você pode destruí-la agressivamente. Cortá-la, esmagá-la, pisoteá-la. Ou pode fazer de outro modo. Pode simplesmente abandoná-la. Não a regue. A vida requer entrada, suprimento. O abandono mata.
Nas almas dos homens, a arma da destruição é a vergonha. Quando o pai não abraça, encoraja, guia e protege, o filho cresce pensando: “Meu pai não me dá muito valor. Não devo mesmo ter valor algum”. Ele não se sente como um verdadeiro homem, confiante da sua identidade, com um destino e a capacitação de cumpri-lo. Sente enorme vergonha e ira por ter sido abandonado na sua maior necessidade.
Este não é um problema exclusivo dos adolescentes ou jovens. A pergunta não desaparece. Não existe uma hora em que o homem supera automaticamente sua crise de identidade. Ainda que tente, durante muitos anos, eliminá-la de sua consciência e apenas “continuar a sua vida”, ele não consegue. É um anseio tão essencial às nossas almas que nos persegue continuamente e brota vez após vez durante a nossa jornada, mesmo depois que achávamos tê-la sufocado terminantemente.
Tampouco é um problema exclusivo de alguns homens, produto apenas de lares divididos ou pais abusivos. Todo homem carrega a ferida, não importa como sua vida possa parecer boa para quem está de fora, pois ninguém teve pais perfeitos.
Cada ferida, seja causada por ataques diretos ou por ausência passiva, traz consigo uma mensagem. A mensagem parece final e verdadeira, absolutamente verdadeira, porque é entregue com muita força. A nossa reação a ela molda a nossa personalidade de maneiras muito significativas. Em geral, produz um falso ego. A maioria dos homens vive um falso ego, um fingimento, que está diretamente relacionado à sua ferida.
Extraído e adaptado do livro “Coração Selvagem”, de John Eldredge, CPAD, e de “Curando a Ferida do Pai”, por Gordon Dalbey.
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Caros(as) amigos(as).
Estas últimas semanas tenho enfocado nos textos que refletem a identidade do homem e suas implicações para as relações consigo mesmo, com sua familia, esposa, filhos, e também com amigos. Por mais algum tempo vamos continuar refletindo este tema.
Deixe seu comentario.
Existe uma pergunta que nasce no coração de todos os meninos, bem no início de sua vida. Não é uma pergunta simples, nem tampouco se expressa, já no princípio, de uma forma claramente enunciada. Antes, representa um anseio, um desejo profundo, e exige uma resposta. Se pudéssemos colocá-la em palavras, seria mais ou menos assim: “Tenho o que é necessário para ser homem? Sou capaz?”
Até que um homem tenha plena consciência de que é um homem, tentará provar isso constantemente, enquanto, ao mesmo tempo, fugirá de qualquer coisa que possa revelar que ele não o é. A maioria dos homens passa a vida inteira sentindo-se perseguida pela pergunta, ou deformada pela resposta que recebeu nos seus anos de formação.
No caso de pais violentos, a pergunta é respondida de modo devastador. “Eu tenho o que é necessário? Eu sou um homem, papai?” “Não, você é um filhinho da mamãe, um tolo, um efeminado, uma gaivota.” Essas são sentenças definidas que moldam a vida de um homem. São feridas de um ataque que entram fundo como um tiro no peito. Podem causar um mal indescritível, especialmente quando envolvem anos de abuso físico, sexual ou verbal.
Porém, há um outro tipo de resposta. É a resposta do silêncio, da falta de bênção. Os pais podem estar presentes fisicamente, contudo comportam-se como ausentes em relação a seus filhos. O silêncio é ensurdecedor e esmagador. Na verdade, é pior do que ter um pai que foi embora ou do que não ter um pai, pois deixa uma mensagem subliminar para o filho. “Eu tenho o que é necessário? Eu sou um homem, papai?” Como resposta, vem o silêncio. “Não sei... duvido... você terá que descobrir por si mesmo... provavelmente não.”
Essas feridas, recebidas de forma passiva, podem não ser percebidas de imediato, mas são perniciosas como um câncer. Por serem sutis, freqüentemente nem são reconhecidas como feridas e, por isso, tornam-se muito mais difíceis de serem curadas.
Você pode matar um organismo vivo, como uma planta, de duas maneiras. Você pode destruí-la agressivamente. Cortá-la, esmagá-la, pisoteá-la. Ou pode fazer de outro modo. Pode simplesmente abandoná-la. Não a regue. A vida requer entrada, suprimento. O abandono mata.
Nas almas dos homens, a arma da destruição é a vergonha. Quando o pai não abraça, encoraja, guia e protege, o filho cresce pensando: “Meu pai não me dá muito valor. Não devo mesmo ter valor algum”. Ele não se sente como um verdadeiro homem, confiante da sua identidade, com um destino e a capacitação de cumpri-lo. Sente enorme vergonha e ira por ter sido abandonado na sua maior necessidade.
Este não é um problema exclusivo dos adolescentes ou jovens. A pergunta não desaparece. Não existe uma hora em que o homem supera automaticamente sua crise de identidade. Ainda que tente, durante muitos anos, eliminá-la de sua consciência e apenas “continuar a sua vida”, ele não consegue. É um anseio tão essencial às nossas almas que nos persegue continuamente e brota vez após vez durante a nossa jornada, mesmo depois que achávamos tê-la sufocado terminantemente.
Tampouco é um problema exclusivo de alguns homens, produto apenas de lares divididos ou pais abusivos. Todo homem carrega a ferida, não importa como sua vida possa parecer boa para quem está de fora, pois ninguém teve pais perfeitos.
Cada ferida, seja causada por ataques diretos ou por ausência passiva, traz consigo uma mensagem. A mensagem parece final e verdadeira, absolutamente verdadeira, porque é entregue com muita força. A nossa reação a ela molda a nossa personalidade de maneiras muito significativas. Em geral, produz um falso ego. A maioria dos homens vive um falso ego, um fingimento, que está diretamente relacionado à sua ferida.
Extraído e adaptado do livro “Coração Selvagem”, de John Eldredge, CPAD, e de “Curando a Ferida do Pai”, por Gordon Dalbey.
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Caros(as) amigos(as).
Estas últimas semanas tenho enfocado nos textos que refletem a identidade do homem e suas implicações para as relações consigo mesmo, com sua familia, esposa, filhos, e também com amigos. Por mais algum tempo vamos continuar refletindo este tema.
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segunda-feira, 7 de setembro de 2009
A Doença dos Homens
Por Christopher Walker
Estamos vivendo em tempos difíceis. Para onde quer que você olhe, há crise, falta de esperança, falta de soluções. Na política, corrupção; na vida econômica, desigualdades sociais vergonhosas; na educação, desilusão e falta de modelos; na cultura, imoralidade e relativismo total; na sociedade, criminalidade, insegurança, isolamento e alienação. O pior de tudo – para nós cristãos – é que quando olhamos para a igreja, que deveria ser luzeiro de esperanças no meio das trevas, vemos as mesmas crises e estatísticas que há no restante da sociedade.
Não precisamos repetir aqui que a raiz de tudo isso está no desmoronamento da unidade familiar. Mais do que isso: nenhuma mudança verdadeira ou duradoura ocorrerá na sociedade sem mudanças anteriores e radicais no lugar onde tudo começa, na própria célula fundamental da sociedade. Não adianta, por exemplo, pensar em mudar o sistema educacional sem mudar a formação que as crianças recebem no lar; será inútil passar leis de moralidade no Congresso se não redescobrirmos como estabelecer e transmitir verdadeiros padrões morais dentro de casa – e assim sucessivamente.
A família está doente, desajustada, desestruturada. Por quê? O que aconteceu? Por um lado, podemos dizer que, sem Deus, a família sempre teve e sempre terá problemas. Porém, nas últimas décadas, a situação vem se agravando porque o homem, a peça chave que, de acordo com o plano original na Bíblia, representa a conexão vital entre a família e Deus (veja 1 Co 11.3), está cada vez mais distante do seu devido papel. E quando o homem sai do seu papel correto, todas as demais funções na família ficam desajustadas também.
O Papel Perdido do Homem
Durante muitos séculos, principalmente nos países que tinham influência cristã, o homem conhecia seu papel na família. Havia modelos errados, havia abusos, havia opressão e tirania, mas também havia muitos modelos certos. Mesmo nas famílias que não eram cristãs, havia uma semelhança ou sombra do padrão bíblico. O homem não só supria a família com sustento material, mas trazia direção, visão e identidade.
O padrão original de Deus pode ser visto em diversos exemplos bíblicos: Noé levando sua família toda para a arca (Gn 6.18; 7.1,7), Abraão deixando sua parentela para seguir uma palavra de Deus e ordenando a seus filhos depois dele (Gn 12.1; 17.23; 18.19), Josué definindo o futuro de sua família (Js 24.15), o carcereiro de Filipos trazendo toda sua família ao reino de Deus (At 16.31-34). Na qualificação dos líderes na igreja primitiva (1 Tm 3.4,5,12), um dos principais requisitos era o de que o homem estivesse cumprindo plenamente o seu papel.
Com as tendências do mundo secular, cada vez mais distantes dos alicerces cristãos, a pressão tem sido enorme no sentido de negar ao homem esse papel de prover liderança, visão e identidade à família. Embora seja verdade que no passado a mulher tenha sido oprimida e sufocada em muitos sentidos, sua emancipação para uma posição de igualdade no lar e na sociedade deixou o homem perplexo e sem função.
Como geralmente acontece, a situação saiu de um extremo e foi para outro: o homem não só deixou de exercer controle absoluto e tirânico sobre a mulher e os filhos, deixou também de oferecer qualquer tipo de direção, o que resulta, muitas vezes, em conflitos, separações, direções independentes em que cada membro da família faz o que bem entende, ou retração e passividade por parte do homem. Como a mulher, agora, geralmente trabalha, nem a função de prover sustento é mais uma função exclusivamente masculina.
O homem está se tornando, progressivamente, uma peça inútil e desnecessária na família. As estatísticas mostram um número cada vez maior de mulheres que são cabeças do lar – o que deixa ao homem uma mera função biológica de procriação.
O problema é que não há um entendimento ou fortalecimento do verdadeiro papel que Deus deu ao homem. E isso faz parte de uma grande estratégia do inimigo para domesticar e emascular o homem e para privá-lo de sua maior e mais essencial contribuição, deixando-o frustrado e inoperante. Pois, com isso, Satanás consegue desvirtuar a família e afetar radicalmente a igreja e a sociedade.
O resultado é isto que estamos vendo hoje, dentro e fora da igreja: homens sem identidade, frustrados, passivos ou irados (de acordo com o temperamento), sentindo-se inferiores, sem qualificações para encontrar sua verdadeira hombridade e função na família, e tentando se esconder ou refugiar em várias formas enganosas de compensação.
Um dos aspectos mais assustadores de tudo isso é que forma um processo cíclico, que piora a cada geração. Pois os homens que perderam sua identidade naturalmente não conseguem transmitir hombridade e senso de destino para os filhos. E estes, por sua vez, terão uma dificuldade maior ainda para passar algo de valor para a próxima geração.
O Nome da Doença
A situação está tão grave que vários autores (como Gordon Dalbey, John Eldredge, em Coração Selvagem, Mike Genung e outros) já estão diagnosticando essa deficiência nos homens como a ferida do pai.
Chama-se ferida do pai porque consiste na quebra do ciclo natural e saudável que Deus instituiu, no qual o pai transmite ao filho a bênção que inclui o nome (identidade), um senso de valor, uma visão (destino) e a segurança de que será capaz de alcançá-la. O pai é o único, na família, que é capaz de dar uma resposta firme e segura à grande pergunta que brota em todo coração masculino: Eu sou capaz? Tenho o que é necessário para ser um homem? (veja texto ao lado, A Grande Pergunta).
Quando essa função não é exercida na vida de um garoto, um abismo é gerado no seu interior, que se manifesta como vergonha, falta de direção, insegurança, necessidade de se afirmar etc. (A função do pai é essencial na formação de filhas também, porém aqui nos limitaremos a falar sobre o que acontece com os filhos, por estarmos tratando do papel perdido do homem na família.)
Há duas maneiras principais em que a ferida é infligida pelo pai. Na primeira, o pai menospreza e diminui o filho, de forma direta e cruel. Pode ser através de palavras, mas pode também chegar a abuso físico e sexual. Não é preciso dizer que causa danos terríveis e, humanamente falando, irreparáveis no interior de meninos e adolescentes em formação.
A ferida mais comum, entretanto, é bem mais sutil e difícil de ser identificada. É causada pela omissão dos pais, por seu silêncio, por sua ausência nos momentos mais críticos da vida. Muitas famílias (e isso acontece com muita freqüência dentro da igreja) têm a presença física de um pai que, por uma série de razões, não sabe como exercer sua função: não dá sua bênção, não dá opinião, não encoraja, não corrige, não oferece visão ou propósito, não explica, não sabe como situar o filho dentro da vida, como ensiná-lo a tomar decisões, como escolher, como achar o rumo certo. Ele pode até ser considerado um pai bonzinho, pai amigo, pai provedor, mas está ausente nas crises, não oferece segurança, identidade ou direção.
Com um senso de incapacidade e frustração, o homem tende a deixar a criação de filhos para a mãe – ou, como ela também se ausenta cada vez mais em virtude do trabalho secular, o papel de influenciar e direcionar acaba ficando para professores, amigos ou ninguém em particular.
A princípio, o jovem adolescente pode nem achar que algo está faltando. Pode até se sentir mais independente, dono de si. Contudo, isso vai gerando um vácuo de propósito e direção, uma falta de sentido, que o acompanhará por toda sua vida. Como escreve John Eldredge, em Coração Selvagem:
Um menino aprende quem é e o potencial que tem de um outro homem ou por estar em companhia dos homens. Ele não pode aprender isso de nenhum outro lugar, não de outros meninos, muito menos do mundo das mulheres.
Gordon Dalbey também escreve em Healing the Father Wound (Curando a Ferida do Pai):
O pai chama para fora o elemento masculino no seu filho. Sem essa entrada essencial do pai, o filho não consegue se ver mais adiante como homem. Rapidamente, pavorosamente a lacuna entre a sua insuficiência como homem e a imagem do que deseja se tornar é tomada por vergonha. Entra, então, o pai da mentira (Jo 8.44), e promete cobrir essa profunda vergonha nos homens de hoje através de impulsioná-los a uma variedade de comportamentos compulsivos e dependências, que vão desde drogas e pornografia ao excesso de trabalho (conhecido em inglês como workaholism ou vício do trabalho) e legalismo religioso.
Nenhuma dessas coisas, porém, lhe dará o que não recebeu do pai.
Modelos Bíblicos
Pais omissos podem ser mais abundantes no nosso mundo moderno, mas não são uma espécie nova. Há vários exemplos bíblicos, notadamente o sacerdote Eli, que acabou reproduzindo sua paternidade omissa no profeta Samuel, que foi criado por ele junto ao tabernáculo (veja 1 Sm 2.12; 8.3). O que se nota nesses casos é a falta de uma característica essencial para que os pais passem aos filhos caráter e integridade: a disciplina.
A firmeza de convicções, a capacidade de dizer não, de exigir disciplina e caráter é uma função que Deus deu ao pai e que é essencial para gerar verdadeira hombridade. A grande falha do sacerdote Eli era de não repreender, com suficiente firmeza, seus filhos (veja 1 Sm 3.13 e 2.23). Foi também uma grande falha de Davi, pois, de acordo com 1 Reis 1.6, ele jamais contrariou seu filho Adonias, cobrando dele coisa alguma. Sabemos dos frutos amargos que Davi também colheu dessa omissão com outros filhos.
Por outro lado, Davi oferece um modelo positivo de paternidade ao passar sua visão de edificar a casa de Deus ao filho Salomão (1 Rs 2.2-4). “Sê homem”, ele lhe disse, ou seja: “Pegue a visão, cumpra o seu destino, deixe de lado outras coisas e realize a vontade de Deus”. Davi não só lhe passou o encargo, mas deu instruções, mostrou como fazer, providenciou materiais e encorajou-o para que tivesse confiança no cumprimento da grande missão (veja 1 Cr 22.6-19). Também o comissionou e o reconheceu diante de todo o povo e dos líderes de Israel (1 Cr 28.1-11, 20; 29.22-25).
É na paternidade de Deus que temos o modelo perfeito, exemplificado na Bíblia inteira, de como se deve agir, com amor, perseverança, aceitação, mas também com firmeza e convicção na disciplina. No Velho Testamento, ao mesmo tempo em que Deus tem amor e compaixão superiores a uma mãe humana (Is 49.15,16), ele jamais deixará de corrigir e disciplinar para o nosso bem (veja Êx 34.6,7 e Dt 8.16). No Novo Testamento, vemos Jesus, o Filho perfeito que agradava ao Pai em tudo, não sendo atendido na sua súplica de ser isentado do cálice amargo (Lc 22.42), porque o Pai tinha um propósito maior (Is 53.10) e não seria demovido, mesmo ao ver o sofrimento do Filho amado. Jesus tinha total confiança e segurança no amor do Pai (Jo 3.35; 10.17; 13.3), mas sabia que sua missão no mundo era mais importante que sua felicidade ou proteção pessoal.
Estamos vivendo em tempos difíceis. Para onde quer que você olhe, há crise, falta de esperança, falta de soluções. Na política, corrupção; na vida econômica, desigualdades sociais vergonhosas; na educação, desilusão e falta de modelos; na cultura, imoralidade e relativismo total; na sociedade, criminalidade, insegurança, isolamento e alienação. O pior de tudo – para nós cristãos – é que quando olhamos para a igreja, que deveria ser luzeiro de esperanças no meio das trevas, vemos as mesmas crises e estatísticas que há no restante da sociedade.
Não precisamos repetir aqui que a raiz de tudo isso está no desmoronamento da unidade familiar. Mais do que isso: nenhuma mudança verdadeira ou duradoura ocorrerá na sociedade sem mudanças anteriores e radicais no lugar onde tudo começa, na própria célula fundamental da sociedade. Não adianta, por exemplo, pensar em mudar o sistema educacional sem mudar a formação que as crianças recebem no lar; será inútil passar leis de moralidade no Congresso se não redescobrirmos como estabelecer e transmitir verdadeiros padrões morais dentro de casa – e assim sucessivamente.
A família está doente, desajustada, desestruturada. Por quê? O que aconteceu? Por um lado, podemos dizer que, sem Deus, a família sempre teve e sempre terá problemas. Porém, nas últimas décadas, a situação vem se agravando porque o homem, a peça chave que, de acordo com o plano original na Bíblia, representa a conexão vital entre a família e Deus (veja 1 Co 11.3), está cada vez mais distante do seu devido papel. E quando o homem sai do seu papel correto, todas as demais funções na família ficam desajustadas também.
O Papel Perdido do Homem
Durante muitos séculos, principalmente nos países que tinham influência cristã, o homem conhecia seu papel na família. Havia modelos errados, havia abusos, havia opressão e tirania, mas também havia muitos modelos certos. Mesmo nas famílias que não eram cristãs, havia uma semelhança ou sombra do padrão bíblico. O homem não só supria a família com sustento material, mas trazia direção, visão e identidade.
O padrão original de Deus pode ser visto em diversos exemplos bíblicos: Noé levando sua família toda para a arca (Gn 6.18; 7.1,7), Abraão deixando sua parentela para seguir uma palavra de Deus e ordenando a seus filhos depois dele (Gn 12.1; 17.23; 18.19), Josué definindo o futuro de sua família (Js 24.15), o carcereiro de Filipos trazendo toda sua família ao reino de Deus (At 16.31-34). Na qualificação dos líderes na igreja primitiva (1 Tm 3.4,5,12), um dos principais requisitos era o de que o homem estivesse cumprindo plenamente o seu papel.
Com as tendências do mundo secular, cada vez mais distantes dos alicerces cristãos, a pressão tem sido enorme no sentido de negar ao homem esse papel de prover liderança, visão e identidade à família. Embora seja verdade que no passado a mulher tenha sido oprimida e sufocada em muitos sentidos, sua emancipação para uma posição de igualdade no lar e na sociedade deixou o homem perplexo e sem função.
Como geralmente acontece, a situação saiu de um extremo e foi para outro: o homem não só deixou de exercer controle absoluto e tirânico sobre a mulher e os filhos, deixou também de oferecer qualquer tipo de direção, o que resulta, muitas vezes, em conflitos, separações, direções independentes em que cada membro da família faz o que bem entende, ou retração e passividade por parte do homem. Como a mulher, agora, geralmente trabalha, nem a função de prover sustento é mais uma função exclusivamente masculina.
O homem está se tornando, progressivamente, uma peça inútil e desnecessária na família. As estatísticas mostram um número cada vez maior de mulheres que são cabeças do lar – o que deixa ao homem uma mera função biológica de procriação.
O problema é que não há um entendimento ou fortalecimento do verdadeiro papel que Deus deu ao homem. E isso faz parte de uma grande estratégia do inimigo para domesticar e emascular o homem e para privá-lo de sua maior e mais essencial contribuição, deixando-o frustrado e inoperante. Pois, com isso, Satanás consegue desvirtuar a família e afetar radicalmente a igreja e a sociedade.
O resultado é isto que estamos vendo hoje, dentro e fora da igreja: homens sem identidade, frustrados, passivos ou irados (de acordo com o temperamento), sentindo-se inferiores, sem qualificações para encontrar sua verdadeira hombridade e função na família, e tentando se esconder ou refugiar em várias formas enganosas de compensação.
Um dos aspectos mais assustadores de tudo isso é que forma um processo cíclico, que piora a cada geração. Pois os homens que perderam sua identidade naturalmente não conseguem transmitir hombridade e senso de destino para os filhos. E estes, por sua vez, terão uma dificuldade maior ainda para passar algo de valor para a próxima geração.
O Nome da Doença
A situação está tão grave que vários autores (como Gordon Dalbey, John Eldredge, em Coração Selvagem, Mike Genung e outros) já estão diagnosticando essa deficiência nos homens como a ferida do pai.
Chama-se ferida do pai porque consiste na quebra do ciclo natural e saudável que Deus instituiu, no qual o pai transmite ao filho a bênção que inclui o nome (identidade), um senso de valor, uma visão (destino) e a segurança de que será capaz de alcançá-la. O pai é o único, na família, que é capaz de dar uma resposta firme e segura à grande pergunta que brota em todo coração masculino: Eu sou capaz? Tenho o que é necessário para ser um homem? (veja texto ao lado, A Grande Pergunta).
Quando essa função não é exercida na vida de um garoto, um abismo é gerado no seu interior, que se manifesta como vergonha, falta de direção, insegurança, necessidade de se afirmar etc. (A função do pai é essencial na formação de filhas também, porém aqui nos limitaremos a falar sobre o que acontece com os filhos, por estarmos tratando do papel perdido do homem na família.)
Há duas maneiras principais em que a ferida é infligida pelo pai. Na primeira, o pai menospreza e diminui o filho, de forma direta e cruel. Pode ser através de palavras, mas pode também chegar a abuso físico e sexual. Não é preciso dizer que causa danos terríveis e, humanamente falando, irreparáveis no interior de meninos e adolescentes em formação.
A ferida mais comum, entretanto, é bem mais sutil e difícil de ser identificada. É causada pela omissão dos pais, por seu silêncio, por sua ausência nos momentos mais críticos da vida. Muitas famílias (e isso acontece com muita freqüência dentro da igreja) têm a presença física de um pai que, por uma série de razões, não sabe como exercer sua função: não dá sua bênção, não dá opinião, não encoraja, não corrige, não oferece visão ou propósito, não explica, não sabe como situar o filho dentro da vida, como ensiná-lo a tomar decisões, como escolher, como achar o rumo certo. Ele pode até ser considerado um pai bonzinho, pai amigo, pai provedor, mas está ausente nas crises, não oferece segurança, identidade ou direção.
Com um senso de incapacidade e frustração, o homem tende a deixar a criação de filhos para a mãe – ou, como ela também se ausenta cada vez mais em virtude do trabalho secular, o papel de influenciar e direcionar acaba ficando para professores, amigos ou ninguém em particular.
A princípio, o jovem adolescente pode nem achar que algo está faltando. Pode até se sentir mais independente, dono de si. Contudo, isso vai gerando um vácuo de propósito e direção, uma falta de sentido, que o acompanhará por toda sua vida. Como escreve John Eldredge, em Coração Selvagem:
Um menino aprende quem é e o potencial que tem de um outro homem ou por estar em companhia dos homens. Ele não pode aprender isso de nenhum outro lugar, não de outros meninos, muito menos do mundo das mulheres.
Gordon Dalbey também escreve em Healing the Father Wound (Curando a Ferida do Pai):
O pai chama para fora o elemento masculino no seu filho. Sem essa entrada essencial do pai, o filho não consegue se ver mais adiante como homem. Rapidamente, pavorosamente a lacuna entre a sua insuficiência como homem e a imagem do que deseja se tornar é tomada por vergonha. Entra, então, o pai da mentira (Jo 8.44), e promete cobrir essa profunda vergonha nos homens de hoje através de impulsioná-los a uma variedade de comportamentos compulsivos e dependências, que vão desde drogas e pornografia ao excesso de trabalho (conhecido em inglês como workaholism ou vício do trabalho) e legalismo religioso.
Nenhuma dessas coisas, porém, lhe dará o que não recebeu do pai.
Modelos Bíblicos
Pais omissos podem ser mais abundantes no nosso mundo moderno, mas não são uma espécie nova. Há vários exemplos bíblicos, notadamente o sacerdote Eli, que acabou reproduzindo sua paternidade omissa no profeta Samuel, que foi criado por ele junto ao tabernáculo (veja 1 Sm 2.12; 8.3). O que se nota nesses casos é a falta de uma característica essencial para que os pais passem aos filhos caráter e integridade: a disciplina.
A firmeza de convicções, a capacidade de dizer não, de exigir disciplina e caráter é uma função que Deus deu ao pai e que é essencial para gerar verdadeira hombridade. A grande falha do sacerdote Eli era de não repreender, com suficiente firmeza, seus filhos (veja 1 Sm 3.13 e 2.23). Foi também uma grande falha de Davi, pois, de acordo com 1 Reis 1.6, ele jamais contrariou seu filho Adonias, cobrando dele coisa alguma. Sabemos dos frutos amargos que Davi também colheu dessa omissão com outros filhos.
Por outro lado, Davi oferece um modelo positivo de paternidade ao passar sua visão de edificar a casa de Deus ao filho Salomão (1 Rs 2.2-4). “Sê homem”, ele lhe disse, ou seja: “Pegue a visão, cumpra o seu destino, deixe de lado outras coisas e realize a vontade de Deus”. Davi não só lhe passou o encargo, mas deu instruções, mostrou como fazer, providenciou materiais e encorajou-o para que tivesse confiança no cumprimento da grande missão (veja 1 Cr 22.6-19). Também o comissionou e o reconheceu diante de todo o povo e dos líderes de Israel (1 Cr 28.1-11, 20; 29.22-25).
É na paternidade de Deus que temos o modelo perfeito, exemplificado na Bíblia inteira, de como se deve agir, com amor, perseverança, aceitação, mas também com firmeza e convicção na disciplina. No Velho Testamento, ao mesmo tempo em que Deus tem amor e compaixão superiores a uma mãe humana (Is 49.15,16), ele jamais deixará de corrigir e disciplinar para o nosso bem (veja Êx 34.6,7 e Dt 8.16). No Novo Testamento, vemos Jesus, o Filho perfeito que agradava ao Pai em tudo, não sendo atendido na sua súplica de ser isentado do cálice amargo (Lc 22.42), porque o Pai tinha um propósito maior (Is 53.10) e não seria demovido, mesmo ao ver o sofrimento do Filho amado. Jesus tinha total confiança e segurança no amor do Pai (Jo 3.35; 10.17; 13.3), mas sabia que sua missão no mundo era mais importante que sua felicidade ou proteção pessoal.
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