Caros amigos e amigas, este blog é um meio que encontrei de compartilhar artigos, textos, reflexões bíblicas sobre a vida e os desafios de se por em prática aquilo que cremos. Boa leitura!
sábado, 27 de agosto de 2011
Deus e o sofrimento humano
Ed René Kivitz
Se Deus é onipotente, pode tudo. Se pode tudo, porque não evita o sofrimento? Se não o evita, é sinal de que ou não é onipotente ou não é bom.
Acho que Epicuro foi quem formulou a questão a respeito da relação entre a onipotência e a bondade de Deus. A coisa é mais ou menos assim: se Deus existe, ele é todo poderoso e é bom, pois não fosse todo-poderoso, não seria Deus, e não fosse bom, não seria digno de ser Deus. Mas se Deus é todo-poderoso e bom, então como explicar tanto sofrimento no mundo? Caso Deus seja todo-poderoso, então ele pode evitar o sofrimento, e se não o faz, é porque não é bom, e nesse caso, não é digno de ser Deus. Mas caso seja bom e queira evitar o sofrimento, e não o faz porque não consegue, então ele não é todo-poderoso, e nesse caso, também não é Deus. Escrevendo sobre a Tsunami que abalou a Ásia, o Frei Leonardo Boff resume: "Se Deus é onipotente, pode tudo. Se pode tudo porque não evitou o maremoto? Se não o evitou, é sinal de que ou não é onipotente ou não é bom".
Considerando, portanto, que não é possível que Deus seja ao mesmo tempo bom e todo-poderoso, a lógica é que Deus é uma impossibilidade filosófica, ou se preferir, a idéia de Deus não faz sentido, e o melhor que temos a fazer é admitir que Deus não existe.
Parece que estamos diante de um dilema insolúvel. Mas Einstein nos deu uma dica preciosa. Disse que quando chegamos a um "problema insolúvel", devemos mudar o paradigma de pensamento que o criou. O paradigma de pensamento que considera o binômio "onipotência/bondade" como ponto de partida para pensar o caráter de Deus nos deixa em apuros. Existiria, entretanto, outro paradigma de pensamento? Será que as palavras "onipotência" e "bondade" são as que melhor resumem o dilema de Deus diante do mal e do sofrimento do inocente? Há outras palavras que podem ser colocadas neste quebra-cabeça?
Este problema foi enfrentado por São Paulo, apóstolo, em seu debate com os filósofos gregos de seu tempo. A mensagem cristã era muito simples: Deus veio ao mundo e morreu crucificado. Pior do que isso: Deus havia sido crucificado num "jogo de empurra" entre judeus e romanos, isto é, diferentemente dos outros deuses, o Deus cristãos havia sido morto não por deuses mais poderosos, mas por homens. Sendo Deus, jamais poderia ser morto por mãos humanas, e sendo o Deus onipotente, jamais poderia nem mesmo ser morto. Paulo, apóstolo, estava, portanto, diante de um dilema semelhante ao proposto por Epicuro: Deus era uma impossibilidade filosófica.
Foi então que os apóstolos surgiram com uma resposta tão genial que os cristãos acreditamos que foi soprada pelo Espírito Santo: antes de vir ao mundo ao encontro dos homens, Deus se esvaziou da sua onipotência,[i] isto é, abriu mão do exercício de sua onipotência, e por amor,[ii] deixou-se matar por eles.[iii] (Eu disse que "Deus abriu mão do exercício de sua onipotência", bem diferente de "Deus abriu mão de sua onipotência").
O apóstolo Paulo admitia que não era possível pensar em Deus sem considerar o binômio bondade/onipotência. Optou pela palavra amor, assim como o apóstolo João, que afirmou "Deus é amor",[iv] e afirmou que Jesus de Nazaré foi Deus encarnado na forma de Amor, e não Deus encarnado na forma de Onipotência.
Isso faz todo o sentido. Um Deus que viesse ao encontro das pessoas em trajes onipotentes chegaria para se impor e reivindicar obediência irrestrita, impressionando pela sua majestade e força sem iguais. Jung Mo Sung adverte que "a contrapartida do poder é a obediência, enquanto a contrapartida do amor é a liberdade".[v] Também assim pensou o apóstolo Paulo, ao afirmar que o que constrange as pessoas a viver para Deus é o amor de Deus (demonstrado na morte de Jesus na cruz),[vi] e nunca o poder de Deus.
Na verdade, "Deus não tinha escolha". Ao decidir criar o ser humano à sua imagem e semelhança, deveria cria-lo livre. Desejando um relacionamento com o ser humano, deveria dar ao ser humano a liberdade de responder voluntariamente ao seu amor, sob pena de ser um tirano que arrasta para sua alcova uma donzela contrariada. Somente o amor resolveria esta equação, pois somente o amor dá liberdade para que o outro seja livre, inclusive para rejeitar o amor que se lhe quer dar.
Ricardo Gondim me introduziu ao pensamento de Comte-Sponville.[vii] Este ateu confesso (como bom francês) discorre a respeito do amor divino como poucos que já li. Acredita que o amor divino é um ato de diminuição, uma fraqueza, uma renúncia. Usa os argumentos de Simone Weil: "a criação é da parte de Deus um ato não de expansão de si, mas de retirada, de renúncia. Deus e todas as criaturas é menos do que Deus sozinho. Deus aceitou essa diminuição. Esvaziou de si uma parte do ser. Esvaziou-se já nesse ato de sua divindade. É por isso que João diz que o Cordeiro foi degolado já na constituição do mundo. Deus permitiu que existissem coisas diferentes Dele e valendo infinitamente menos que Ele. Pelo ato criador negou a si mesmo, como Cristo nos prescreveu nos negarmos a nós mesmos. Deus negou-se em nosso favor para nos dar a possibilidade de nos negar por Ele. As religiões que conceberam essa renúncia, essa distância voluntária, esse apagamento voluntário de Deus, sua ausência aparente e sua presença secreta aqui embaixo, essas religiões são a verdadeira religião, a tradução em diferentes línguas da grande Revelação. As religiões que representam a divindade como comandando em toda parte onde tenha o poder de fazê-lo são falsas. Mesmo que monoteístas, são idólatras".
Você já imagina onde quero chegar. Isso mesmo, entre a onipotência e a bondade de Deus existe a liberdade do homem, e o compromisso de Deus em respeitar esta liberdade. Isso ajuda a entender porque existe tanto sofrimento no mundo. O mal não procede de Deus e não é promovido ou determinado por Deus. O mal é conseqüência inevitável da liberdade humana, que teima em dar as costas para Deus e tentar fazer o mundo acontecer à sua própria maneira. Diante do mal e do sofrimento, o Deus com os homens, encarnado em Amor, também sofre, se compadece, tem suas entranhas movidas de compaixão.[viii]
Mas você poderia perguntar, porque razão Deus não acaba com o mal. Isso é simples: Deus não acaba com o mal porque o mal não existe. Marilena Chauí diz que "o mal é o pecado, isto é, a transgressão da lei divina que o primeiro homem e a primeira mulher praticaram. Sua punição foi o surgimento de outros males: morte, doença, dor, fome, sede, frio, tristeza, ódio, ambição, luxúria, gula, preguiça, avareza. Pelo mal, a criatura afasta-se de Deus, perde a presença divina e a bondade original que possuía. O mal, portanto, não é uma força positiva da mesma realidade que o bem, mas é pura ausência de bem, pura privação do bem, negatividade, fraqueza. Assim a treva não é algo positivo, mas simples ausência da luz, assim também o mal é pura ausência do bem. Há um só Deus, e o mal é estar longe e privado dele, pois ele é o bem e o único bem". Em outras palavras, o mal não existe, o que existe é o malvado, aquele que faz surgir o mal porque se afasta de Deus, o supremo e único bem.
Ariovaldo Ramos resumiu isso ao afirmar que "para acabar com o mal, Deus teria que acabar com o malvado". Mas, sendo amor, entre acabar com o malvado e redimir o malvado, Deus escolheu sofrer enquanto redime, para não negar a si mesmo destruindo o objeto do seu amor. Por esta razão Deus "se diminui", esvazia-se de sua onipotência, e se relaciona com a humanidade com base no amor, fazendo nascer o sol sobre justos e injustos,[ix] e mostrando sua bondade, dando chuva do céu e colheitas no tempo certo, concedendo sustento com fartura e um coração cheio de alegria a todos os homens.[x]
É uma pena que Epicuro não tenha lido os apóstolos cristãos, não tenha corrido no parque ao lado de Ricardo Gondim, e não tenha ouvido Ariovaldo Ramos pregar, e nem tenha assistido a aula que tive com Jung Mo Sung esta semana.
[i] Carta aos Filipenses 2.6-8[i]
[ii] Evangelho de João 3.16
[iii] Atos dos Apóstolos 2.23
[iv] Primeira Carta de João 4.7
[v] Notas de sala de aula: Pós Graduação em Ciências da Religião, Universidade Metodista de São Paulo
[vi] 2Coríntios 5.14,15
[vii] Recomendo Comte-Sponville, André, Pequeno tratado das grandes virtudes, São Paulo: Martins Fontes, 1995, especialmente o capítulo 18: Amor.
[viii] Evangelho de São Mateus 9.36; 14.14
[ix] Evangelho de São Mateus 5.44,45
[x] Atos dos Apóstolos 14.17
sábado, 20 de agosto de 2011
Pondera tuas veredas
Por Valdemar Figueredo
Quem opta pelo caminho estreito adere a uma guinada radical na vida. Muitas pessoas vivem aflitas porque constatam que estão paradas na esquina e não conhecem o caminho.
Viver é escolher uma direção e seguir. Na Bíblia Sagrada, é muito recorrente a representação da condução da vida através da imagem de um caminho, e o tempo da existência humana como uma jornada, que pode ser longa ou curta. Os obstáculos da vida são tratados como buracos e abismos. A tomada de uma decisão é como dar passos seguros; o arrependimento, como o retorno por uma estrada solitária. A reconstrução de uma cidade é como a pavimentação de uma estrada. O céu, como ruas de cristais e pedras preciosas.
A força dessa imagem também está bem presente na literatura, nas suas diferentes expressões. Para ficarmos com um exemplo, diz o poeta Carlos Drumonnd de Andrade: “No meio do caminho tinha uma pedra; tinha uma pedra no meio do caminho; tinha uma pedra; no meio do caminho tinha uma pedra...”. Sendo caminho a palavra-chave nos seus múltiplos sentidos literários, cite-se também o Poeminha do contra, de Mário Quintana: “Todos estes que aí estão atravancando o meu caminho, eles passarão... Eu passarinho!”
É fato que uma estrada bem sinalizada e adequadamente pavimentada ajuda quem caminha a percorrer as distâncias e a achar o sentido correto. Muitas pessoas vivem aflitas porque constatam que estão na esquina e não conhecem o caminho. Colocar o pé em determinada estrada define, além do ponto aonde se pode chegar, o cenário com o qual se conviverá pelo caminho. Admitimos que os próximos passos nos levarão a novas e imprevistas situações – contudo, onde estiver a expressão humana, aí haverá o aleatório, o imponderável, o mistério, a surpresa, o fortuito, o acidental.
Na versão do existencialismo filosófico, estamos destinados à liberdade. Isto é, de acordo com a representação da vida com a qual estamos lidando, temos a responsabilidade frequente de escolher caminhos e assumir direções. Há quem se apavore com o desconhecido, mas existem aqueles que encaram os caminhos novos como o próprio fascínio que é viver.
Jesus mencionou dois caminhos opostos: um largo e um estreito. Enquanto o primeiro conduz ao desperdício da vida, o outro conduz à vida plena. No ensino do Mestre, a força atrativa da multidão seduz a muitos. Neste plano, funciona a lógica de que o caminho bom é aquele que exige o menor esforço. Então, basta seguir; nada de ponderação. Não adianta pensar em consequências, uma vez que a pulsação do momento justifica os passos de agora. A multidão é pouco afeita às placas educativas; prefere os letreiros iluminados. Aquele que adere aos passos da multidão não pergunta pelo sentido certo, mas reclama aceitação. Só que quem vive para ser aceito pode chegar ao fim e concluir que não viveu a sua própria vida.
Já o caminho estreito acentua a responsabilidade de cada escolha. Quem o segue jamais perde a noção de si mesmo, ainda que veja os outros que no caminho estão. Jesus não fala do caminho estreito como se fosse martírio autoimposto. A realidade não é encoberta: viver é correr riscos frequentes. Quem opta pelo caminho estreito adere a uma guinada radical na vida. Enquanto na via larga segue-se a multidão, no rumo estreito segue-se aos passos de Cristo.
Quem nunca se sentiu perdido na vida, sem saber a direção, com a impressão de que cochilou e passou do ponto? Pois é nestas horas-limite que olhamos para Deus, erguemos as mãos trêmulas e pedimos: “Guia-nos pelo caminho eterno!”. O grande perigo é continuar seguindo, mesmo quando não se sabe para onde. Os humildes aprendem que retratar-se é melhor do que andar perdido. Seria ótimo se desenvolvêssemos a disposição de apresentar nossa vida a Deus, a fim de que ele a corrigisse sempre que necessário. Todavia, essa postura humilde não encontra eco na vida moderna, em que todos são estimulados a escolher o seu próprio caminho e seguir até o fim, sem olhar para trás nem para os lados.
Aquele que se propõe a seguir a jornada ao lado do Senhor encontra o estímulo certo nas Escrituras: “Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas. Não sejas sábio aos teus próprios olhos; teme ao Senhor e aparta-te do mal” (Provérbios 3.5-7). Voltar atrás nem sempre é possível, mas os tropeções que demos não nos deixam derrubados para sempre. E nunca é tarde para atentar ao caminho que se segue: “Pondera a vereda de teus pés, e todos os teus caminhos sejam retos. Não declines nem para a direita nem para a esquerda; retira o teu pé do mal” (Provérbios 4.26,27).
sábado, 13 de agosto de 2011
As Vozes dos Pais
Por Daniel Sampaio
Numa sociedade em rápida mudança, com os adolescentes a socializarem-se fora do quadro tradicional de referência (família e escola) e a viverem experiências novas que os adultos desconhecem (Internet), vale a pena os pais lutarem para que a sua voz seja ouvida? Estou convicto que sim e digo mais: nunca, como agora, é crucial que não desistam, porque a sua possível perda de influência pela chegada da "segunda família" deve levar a novas formas de comunicar e de educar.
O tema foi-me sugerido no debate que se seguiu ao lançamento de mais dois livros de Pedro Strecht , "Final feliz" e "Gosto de ti como és" ( Editora Assírio & Alvim). Nessa altura falei das vozes dos pais juntos dos filhos nos dias de hoje e, sem querer simplificar as ideias lá expostas por vários participantes, resolvi trazê-las para aqui.
A melhor voz dos pais deve ser baixa. É difícil e pouco oportuno gritar o amor e esse deve continuar a ser o sentimento predominante entre pais e filhos. Quantas discussões acabariam mais depressa se todos se habituassem a não gritar e a expressar os seus pontos de vista de modo firme, mas calmo! Depois, convém que seja a voz da não repetição. Ditas as coisas uma vez, não interessa massacrar: ninguém muda só porque houve muitas vezes o mesmo ralho ou a mesma recomendação. Na interacção com filhos adolescentes, os pais repetem sem cessar directrizes educativas que sabem já não ser eficazes; e os filhos respondem com promessas que sabem à partida não ir cumprir.
E a voz do exemplo, claro. A coerência dos pais é vital: se o comportamento dos pais for o oposto do que recomendam o êxito será pouco provável. Se o pai consome haxixe o seu discurso "anti-drogas" será inútil. Não esquecer a voz do poder: sempre que estiver em causa a saúde e a segurança dos filhos, não há que hesitar, não é o momento de negociar! E aí deve entrar a voz da segurança: a imaturidade de muitos pais e a sua identificação romântica com os filhos ao transformá-los em amigos, com o consequente apagamento do fosso intergeracional, tem conduzido a famílias sem limites internos, onde ninguém sabe o seu papel, nem as barreiras que deve respeitar.
A voz da disciplina, na família e na escola, tem de se fazer ouvir a cada momento: não a disciplina do passado, baseada no medo e na sistemática humilhação dos mais novos, mas a disciplina construída através de uma relação de respeito mútuo, a ter como objectivo fundamental não o castigo ofensivo, mas a reconciliação futura e, sobretudo, a experiência do reconhecimento do erro e a procura de alternativas de comportamento.
Há vozes dos pais boas e más, os leitores que perdoem esta linguagem simplista. São vozes más as que fomentam a intriga (por exemplo, quando os pais recolhem informações nos amigos às escondidas dos filhos), a inveja, a culpa ou a acusação. Quando os pais projectam nos filhos os sentimentos negativos que estão a sentir em relação a outras pessoas e os acusam de coisas que só na aparência dizem respeito aos mais novos. Ou quando os pais, dominados pelos seus próprios sentimentos de insegurança, deitam a sua própria fraqueza para cima dos filhos inquietos. São vozes boas: " deves fazer o melhor possível, mas não te inquietes se não fores o melhor"; ou "põe-te no lugar do outro" (a perda deste sentimento do outro é característica de muitas crianças e adolescentes actuais, habituadas a uma gratificação imediata e incapazes de sair da sua posição de autocontemplação). Outra voz boa poderá ser: "vais conseguir, se te esforçares com persistência", porque o incentivo ao esforço continuado é um dos êxitos seguros na educação. E também é uma voz boa " pensa antes de agir": sobretudo os adolescentes agem muitas vezes sem reflectir, nesta sociedade "sensorial" que fomenta o constante sentir em vez de pensar. A frase dos nossos avós " vê lá até onde podes ir" mantém toda a actualidade!
Perante as dúvidas, a indisciplina e insegurança de tanta gente nova, a resposta só pode ser uma: a voz coerente de mais adultos.
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Daniel Sampaior nasceu em Lisboa, em 1946. Médico, especialista de Psiquiatria, coordena no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, o Núcleo de Estudos do Suicídio, destinado ao atendimento de jovens em risco de suicídio. O seu trabalho tem sido caracterizado por uma especial atenção aos problemas da adolescência, tendo conduzido muitas sessões de trabalho com professores,
pais e alunos das escolas básicas e secundárias. É autor de vários livros, entre os quais se destacam: "Inventem-se Novos Pais" (1994), "Voltei à Escola" (1996) e, mais recentemente, "Tudo o que Temos cá Dentro" (2000).
sábado, 6 de agosto de 2011
Riquezas
Por Ricardo Gondim
No Dia dos Pais, meus filhos me presentearam com um verso do Fernando Pessoa: “Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentaria nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens”. Como a Cynthia recortou o cartão artesanalmente, eu o guardo como uma relíquia.
Recentemente, um catedrático da Universidade de São Paulo ganhou uma festa de despedida no dia de sua aposentadoria. Na cerimônia, permitiram que o auditório fizesse algumas perguntas e um amigo aproveitou para indagar o que ele considerava a maior riqueza de um homem com mais de setenta anos. O decano respondeu: “A capacidade de discernir entre o que é importante e o que não possui nenhum valor”.
Realmente! A gente chega a uma idade em que carecemos de siso redobrado para não errar mais. O tempo, uma riqueza não renovável, se torna escasso, e precisamos desfrutar a vida com muito cuidado.
Tento segurar os ponteiros para poder acompanhar meus netos em seus momentos mais inocentes. A Gabriela zomba de minha careca cantando: “Eu vi uma barata na careca do vovô...”. O Naran me desafia para lutas homéricas na cama, em que ele é o Super-Homem e eu não posso passar de um reles Homem Aranha, sem direito a me valer da criptonita. O Felipe é quem mais me dá beijo no mundo e eu me sinto amado como nunca. Eles se tornaram mais importantes que os aplausos aduladores de quem não me conhece, mais valiosos do que as honrarias plásticas que nada significam.
Hoje, recuso-me a adiar qualquer oportunidade de celebrar a vida ao lado da mulher de minha mocidade. Ela é minha Dulcinéia, que caminha ao meu lado e me defende como uma leoa. Sou feliz em ver como ela, obstinadamente, insiste em não permitir que nosso dia-a-dia se torne monótono, zelando para que nosso amor não esmoreça. Nunca entristecemos ao mesmo tempo. Quando ela se cansa, eu a ajudo, e quando me deprimo, acolho suas palavras, que me afirmam carinhosamente.
Depois de tantas decepções, guardo os poucos amigos que me restam no lado esquerdo do peito. Aprendi a valorizar a fidelidade como uma virtude raríssima; sei ser grato pela mão estendida; sinto-me endividado pelo amor gratuito. Como é bom tomar café com pão de queijo perto de quem a gente sente liberdade para rir, chorar e sonhar.
Aprendi a olhar para Deus com menos cobranças religiosas. Sinto que Ele abre as portas de sua casa como um hospedeiro que unge a minha cabeça com óleo e prepara uma mesa na presença de meus inimigos. Abandonei a presunção infantil de exigir que o Senhor me dê uma vida blindada ou que Ele me privilegie com favores especiais. Hoje, desejo municiar-me com os valores do Reino, com as verdades de Jesus para enfrentar a vida com coragem.
Desejo ler as Escrituras com a credulidade infantil, com a sensibilidade poética, com a honestidade bereana e, principalmente, com a verdade do Espírito Santo.
Cheguei à idade em que não me impressiono mais com os arroubos pretensiosos dos religiosos ufanistas. Dou de ombros para os títulos, para as estatísticas elásticas que provam uma dotação carismática. Desdenho o oportunismo do mercadejador de esperanças, que usa o sagrado para enriquecer. Não respeito quem enxerga a igreja como um nicho de mercado.
Existem riquezas que outrora não valorei, mas que agora são importantíssimas. Ler um bom livro e ouvir uma música calma se tornaram valores preciosos. Tardiamente, passei a admirar os tenores eruditos, os poetas contemporâneos e os cronistas que registram o cotidiano.
Viver me enche de entusiasmo. Não tento mais matar o tempo. Quero sorver a vida com tudo o que ela tiver de bom e de ruim. Como um colecionador de borboletas, procurarei guardar, daqui para a frente, todos os meus momentos em estojos de cristal.
A vida é rara, só a experimentamos uma vez. Devemos tratá-la como o dom mais sagrado que recebemos de Deus. Quem não souber valorizá-la, antecipa o inferno. Portanto, meu versículo bíblico predileto passou a ser: “Ensina-me a contar os meus dias, para que meu coração alcance sabedoria” (Sl 90.12).
Soli Deo Gloria.
sábado, 30 de julho de 2011
Delas é o Reino
Por Carlos Queiroz
A infância violentada afronta a vida.
A morte brutal da menina Isabella Nardoni, crime que adquiriu contornos de comoção nacional, foi apenas mais um episódio de uma chaga quase cultural no Brasil: a violência contra crianças e adolescentes. Dos maus-tratos à tortura, da negligência ao assassinato, cada vez mais meninos e meninas são vitimadas – e isso independe de origem social, étnica ou religiosa. Entre as diversas formas de violência praticadas contra menores, o abuso sexual é, tristemente, uma das mais comuns. Ela pode ocorrer nas ruas contra crianças abandonadas; dentro das próprias famílias; ou no crime organizado, para fins comerciais. Seja qual for a forma, as crianças e adolescentes submetidas a este tipo de violência sofrem danos irreparáveis para o seu desenvolvimento físico, psíquico, social e moral.
As vítimas são garotos e garotas que tiveram suas infâncias roubadas, viram seus sonhos perdidos e passam a enxergar o futuro sem perspectivas. Lembro da frase que ouvi de uma criança de 11 anos: “Transei com um gringo, recebi o dinheiro e fui comprar brinquedos”. Uma criança com atividade de adulto, mas com corpo e cabeça ainda infantis. Qual será o futuro dessa menina? E de tantas outras vitimadas pelo abuso e exploração sexual no Brasil? O relato da menina F. G., de sete anos, contando o que o padrasto fazia com ela, traduz essa perversidade: “Ele dizia que eu não podia falar nada, senão iria apanhar. Todos os dias ele namorava comigo, quando minha tia ia trabalhar”.
Tão grave quanto a violência é o muro de silêncio que cerca situações como essa, erigido pela indiferença da sociedade e pela cultura da impunidade dos agressores. Tais constatações nos trazem profundo pesar e indignação; mas, ao mesmo tempo, o desejo de despertar e mobilizar sentinelas comprometidas a combater toda forma de violência contra a vida de adolescentes e crianças inocentes.
Precisamos, como seguidores de Jesus Cristo, amar as crianças e protegê-las. Elas devem ter acesso e direito aos símbolos religiosos, que intencionam comunicar à sociedade o livre direito de cidadania celestial. Acolher e respeitar a criança nos ambientes religiosos constitui-se num belo testemunho e exemplo para a sociedade. Precisamos propiciar às nossas crianças espaços coletivos de lazer e educação, ambientes comunitários onde, sob os olhares de muitos, nossas crianças sejam mais percebidas como atores da revelação de Deus e não como objetos dos desejos desumanos e interesses comerciais.
A Igreja, principalmente, não pode manter-se indiferente a um problema tão grave. A infância violentada afronta a vida e encobre a possibilidade de acolhermos a revelação de Deus através dos pequenos. Jesus disse: “Quem recebe uma criança a mim me recebe; e quem me recebe, recebe o Pai que me enviou”. As crianças são prioritárias no Reino de Deus, conforme o próprio Cristo afirmou: “Delas é o Reino dos céus.” Além de agir diretamente em seu socorro, a Igreja e seus agentes precisam acionar os mecanismos legais de responsabilização – a família, a escola e o Estado.
A atitude de proteção e cuidado com as nossas crianças é muito mais do que emitir significativos gestos de amor e justiça pelos pequenos filhos do Reino. Trata-se, antes de tudo, de uma questão de compromisso com o Deus eterno, o Pai criador e protetor de todas as crianças. Faça da sua igreja uma comunidade em que o bem suplanta e vence toda forma de mal e violência. Quantas Isabellas estão sendo vítimas, neste exato momento, de atrocidades no Brasil? E quantas não serão sequer mencionadas, por pertencerem às classes baixas, condenadas ao esquecimento e à indiferença?
Se somos filhos e filhas do Reino de Deus, proteger e servir a toda e qualquer criança é servir aos filhos e filhas deste mesmo Reino. Se fizermos isso, estaremos resgatando parte importante do todo, dessa criança-humanidade amada pelo Senhor.
sábado, 23 de julho de 2011
Barnabé, um levita natural de Chipre. Nada mais do que isso
Por Harold Segura
A primeira vez que o Novo Testamento menciona seu nome, chama-o José e diz que era «um Levita de Chipre, a quem os apóstolos deram o nome de Barnabé, que significa Encorajador» (Atos 4:36). Voltei a esse texto durante estes dias da minha visita a Larnaca e Nicosia, ambas cidades da Ilha de Chipre. Li também os outros textos bíblicos nos quais se menciona a Bernabé — exatamente trinta vezes— e renovei minha admiração por quem, desde os tempos de seminarista, tem sido meu personagem favorito de tantos que a Bíblia registra.
Há alguns meses, e graças ao meu interesse recente por aprender um pouco mais acerca da iconografía cristã antiga, me dei a tarefa — como simples aprendiz curioso— de buscar na Internet alguns dos ícones de Barnabé. Instalei um dos mais antigos no meu notebook como papel de parede onde permaneceu por várias semanas diante dos olhares surpresos de meus amigos e amigas que me perguntavam: Que santo é esse? e Por que um ícone da hagiografia antiga no computador de um pastor evangélico? Não sei se minha resposta satisfez as curiosidades: que era simplesmente interesse teológico (quanto à iconografia) e admiração pelo personagem (quanto à Barnabé).
Como não admirar a um homem que, sem ser um dos protagonistas mais visíveis do relato neotestamentário seja, ao mesmo tempo, um dos mais importantes no desenvolvimento da chamada igreja primitiva? É, para usar o jargão cinematográfico, um ator de elenco, sem o protagonismo de Paulo, nem sequer de Timóteo ou de Maria. Aparece por momentos e desaparece sem que nos demos conta e, no final, despede-se da cena em Gálatas 4:10 com uma simples e discreta alusão de que era o primo de Marcos (como um dos quatro evangelistas, Marcos chegou a ter o papel protagônico que nunca se lhe assignou a seu primo).
Barnabé foi importante, sem necessidade de chegar a ser protagonista (me refiro aos mais brilhantes e lembrados com o tempo). Talvez nisto esteja a lição mais urgente de nosso personagem cipriota. Quando a igreja de Jerusalém recibeu a notícia da conversão de Saulo e reagiu com natural e compreensível desconfiança (Saulo havia sido um de seus perseguidores), foi Barnabé quem buscou o ex-perseguidor convertido, creu em sua história de fé e o recomendou diante da igreja:
Quando chegou a Jerusalém, tentou reunir-se aos discípulos, mas todos estavam com medo dele, não acreditando que fosse realmente um discípulo. Então Barnabé o levou aos apóstolos e lhes contou como, no caminho, Saulo vira o Senhor, que lhe falara, e como em Damasco ele havia pregado corajosamente em nome de Jesus. (Atos 9:26-27).
Quando Paulo, já depois de vários anos de experiência missionária desconfiou de João Marcos como companheiro de trabalho, Barnabé decidiu confiar nele, ainda que por essa diferênça de critérios teve que se separar de Paulo e tomar outro caminho. Creu na capacidade ministerial de João Marcos e optou por ele:
Barnabé queria levar João, também chamado Marcos.Mas Paulo não achava prudente levá-lo, pois ele, abandonando-os na Panfília, não permanecera com eles no trabalho. Tiveram um desentendimento tão sério que se separaram. Barnabé, levando consigo Marcos, navegou para Chipre... (Atos 15:37-39).
Vemos, então, que, pela mediação de Barnabé, a igreja aceitou Paulo. Também por seu respaldo, João Marcos, com o passar dos anos, foi reconhecido como pilar da Igreja. Se por simples exercício estatístico somarmos os escritos canônicos atribuídos a Paulo (treze epístolas) e a Marcos (um Evangelho), temos como resultado que, graças ao ministério de Barnabé, mais de cinquenta por cento dos livros do Novo Testamento (não é que tenha simpatia pela estatística bíblica, mas recorremos a ela nesta ocasião pela necessidade do exemplo). Há mais: quando a igreja de Jerusalém necessitou de uma pessoa de confiança para se encarregar de uma tarefa de confirmação pastoral em Antioquia, deu-a a Barnabé (Atos 11:22-23). Quando o Espírito Santo necessitou de uma pessoa para confiar o primeiro projeto missionário entre os gentios, encontrou Barnabé (Atos 13:2). Trinta versículos no total mencionam seu nome e destacam o valioso serviço prestado à igreja. Talvez seja Atos 11:24 seu melhor retrato: «Ele era um homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé».
Ele foi um personagem extraordinário, sem necessidade de recorrer ao sensacionalismo (o pecado de Simão, o mago), foi um homem compreensivo, sem necessidade de se converter em complacente (enfrentou o grande apóstolo Paulo em várias ocasiões) e, chegou a ser um dos mais importantes servidores das primeiras comunidades cristãs, sem o menor indício de buscar protagonismo. Exemplo do que hoje temos costumado chamar de liderança de serviço, não lhes parece?
Agora compreendam meu afã. Desde o primeiro dia que cheguei a Chipre tenho buscado com insistência infantil um ícone original do personagem. Já estou regressando e ainda não consegui encontrá-lo, apesar de insistente e teimoso em meu intento (que o digam os que me acompanharam aos passeios turísticos de Larnaca e de Nicosia).
O que aconteceu com Barnabé? Alguém sabe? Nem sequer nas lojas de artesanatos religiosas de seu próprio país o levam a sério. Dizem os vendedores, cipriotas, gregos e turcos, todos igualmente, que são mais rentáveis os ícones de Lázaro (segundo a tradição, sua segunda tumba está em Larnaca), de Nicolás, de Espiridão (cristão nascido em Chipre, no século III, declarado bispo depois de ser perseguido pelo imperador Maximino) e de Catalina (que esteve prisionera em Salamina, antiga Chipre, segundo a tradição). Todos, ao que parece, até o imperador Constantino (que aqui é venerado como santo) valem mais e são mais conhecidos que meu querido personagem.
Bom, Barnabé, no final, o que mais vale, como bem o sabias, é ter sido um simples servidor das igrejas, decidido consolador dos excluídos (teu nome significa filho de consolação) e ativo promotor do Reino. Disto, meu bom amigo, como você viu, não se deram conta os vendedores, nem os compradores; e ao que parece, tão pouco nossas igrejas.
Larnaca, Chipre, novembro de 2010
Harold Segura é teólogo, escritor e coordenador de Compromisso Cristão da Visão Mundial para a América Latina e Caribe. Foi um dos oito observadores não católicos na V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e Caribenho, realizada em Aparecida, SP, em 2007. É colombiano mas mora há alguns anos em San José, Costa Rica. É autor de Além da Utopia — Liderança Servidora e Espiritualidade Cristã (Encontro Publicações, 2007) e de Para que Serve a Espiritualidade? (Ultimato, 2010).
sábado, 16 de julho de 2011
Renovar para viver
Esther Carrenho
Agarramo-nos rigidamente a ideias, experiências e coisas antigas – e assim, negamos a nós mesmos as novas vivências que poderão enriquecer nossas vidas.
O novo só nasce quando o velho lhe cede espaço.
Renovação. Palavra que sintetiza novos sonhos, novos rumos, outras descobertas, ideias e conquistas! E é muito bom que a renovação aconteça. Afinal, planejar novos alvos, abrir-se para observar o diferente, reconhecer que há algo errado onde antes havia a certeza de que tudo estava certo e descobrir novas vivências são sinais de que a vida está acontecendo. O cantor e compositor Raul Seixas expressou tal sentimento em uma de suas músicas: “Prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.”
O que não se pode esquecer é que o novo só nasce quando o velho cede espaço. É necessário se despedir daquilo que não serve mais, mesmo que seja algo que cooperou para as novas aquisições. Acontece que agarramo-nos rigidamente a ideias, experiências e coisas herdadas, adquiridas – as boas e as más. E acostumamo-nos até com aquilo que nos prejudica, ao mesmo tempo em que rejeitamos o novo sem a devida reflexão e julgamento para avaliar que o preço a ser pago vale a pena. Assim, negamos a nós mesmos as novas vivências que poderão enriquecer nossas vidas
Na Bíblia, temos o exemplo dos hebreus, que estavam sendo explorados, escravizados e torturados havia séculos pelos egípcios. A libertação chegou sob a liderança de Moisés, que os conduziu pelo deserto em direção a Canaã. Nas primeiras dificuldades da caminhada, entretanto, boa parte do povo começou a reclamar e a sentir a falta das coisas que ficaram para trás, nos tempos da escravidão. O povo ansiava por alhos, cebolas e melões – enquanto que, mais à frente, ficava a terra da qual, segundo lhes prometera o Senhor, manava leite e mel.
Esse episódio é uma boa ilustração da necessidade que temos de renovar muitas áreas da nossa vida. Quando o velho perde o sentido, temos a escolha de caminhar em direção ao novo. Mas, entre a comodidade do antigo e a estranheza do novo, há o deserto do nada, que é o esvaziamento do que tínhamos antes. Enquanto mantemos os olhos naquilo que não tem mais valor e perdeu o sentido, desprezamos a oportunidade de conhecer e experimentar o que chega. Sim, é preciso deixar o que morre para poder desfrutar do que nasce.
Renovar é um processo que deve fazer parte de toda a vida. O bloqueio das descobertas começa, em geral, na infância, quando as crianças são censuradas duramente por experimentar novos caminhos. Adultos, zelosos em extremo, não permitem aos filhos o risco dos erros da experiência; ou então temem tanto os possíveis acidentes, comuns na infância, que exageram no cuidado, coibindo todo e qualquer comportamento um pouco mais ousado. O menino é criticado por ter subido a um muro, por causa do risco de cair e, quem sabe, quebrar uma perna. Ou então uma garota é punida porque desmontou a boneca por pura curiosidade de conhecer o mecanismo dentro dela. No entanto, as ações típicas da infância só indicam que há um desejo de explorar e conhecer novas coisas, adquirir outras informações.
Há ainda os adultos impacientes que não aguentam esperar o tempo necessário para que o iniciante execute sua tarefa, aprendendo por si mesmo. Crianças e adolescentes que sofrem este tipo de proibições podem se tornar adultos presos, formatados ao que é estabelecido pelos outros. Ou, então, partem para outro extremo, rejeitando, junto com o que é nocivo, todas as boas coisas antigas recebidas e que deveriam ser perpetuadas. Assim, entram no desconhecido sem o devido cuidado, pagando alto preço, sem contar que ainda correm o risco de percorrer caminhos que levam a danos para toda sua vida, sem a possibilidade de retorno e acertos.
Maturidade emocional requer que o indivíduo faça uma avaliação de tudo que foi recebido, julgando por si o que precisa ser descartado e o que deve ser perpetuado. Quem é capaz de filtrar o que lhe chega e ir construindo seu caminho de acordo com as próprias avaliações terá também recursos internos para ouvir, ver e refletir acerca de novas perspectivas, ideias e descobertas. E, ainda que sinta-se inseguro, saberá, sozinho ou com o conselho de outrem, escolher o que deve fazer parte de sua vivência.
Que novos alvos, condutas, atitudes e aquisições possam acontecer na vida de cada um de nós. E, se acontecer o fracasso, que haja coragem para reconhecer que o insucesso é apenas uma boa coisa que não deu certo – e que vale a pena recomeçá-la de outro jeito.
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